A Polícia Federal (PF) realizou, nesta quarta-feira (3), a apreensão de um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil durante o segundo dia da operação "Mens Occulta". A ação investiga uma família de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, suspeita de envolvimento com tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro.
Cavalo de competição apreendido em haras
De acordo com a PF, o animal pertencia a Brenda da Silva Nunes, uma das principais investigadas, e foi localizado em um haras na região de Barretos, no interior de São Paulo. Brenda é competidora da modalidade de três tambores e figura entre os alvos centrais da operação. Além do cavalo apreendido, outro animal de competição ligado à investigada ainda não foi encontrado.
Flutuante motorizado de luxo
Os agentes também apreenderam um flutuante motorizado atribuído à família Nunes, que estava em uma propriedade particular em Uberlândia. A embarcação possui estrutura de lazer completa, incluindo fogão, sistema de som e até pista de dança. Para os investigadores, essas novas apreensões reforçam a suspeita de que o grupo utilizava recursos obtidos com atividades criminosas para adquirir bens de alto valor e artigos de luxo.
Família apontada como núcleo da organização
A operação "Mens Occulta" foi deflagrada na terça-feira (2). Os principais investigados são Mario Sergio Nunes e suas filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes. O ex-namorado de Brenda, Rhaniery Nunes, também foi preso sob suspeita de lavagem de dinheiro. Segundo o delegado Felipe Martins Perez Garcia, o grupo é investigado por integrar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. A PF apura movimentações financeiras de cerca de R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. Conforme as investigações, Mario seria integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e já foi preso em operações anteriores.
Bens de luxo apreendidos
Durante a operação, a PF já havia apreendido veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais e um motorhome de luxo avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão. Segundo a corporação, os investigados mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada oficialmente. Até a última atualização, sete investigados continuavam foragidos, entre eles a psicóloga infantil Bruna Nunes, apontada pela PF como integrante do núcleo familiar investigado.
Rota do tráfico
De acordo com as investigações, a organização criminosa trazia cocaína do Paraguai para o Brasil. A droga entrava pelo Mato Grosso do Sul, escondida em caminhões, e seguia para Uberlândia, sendo depois distribuída para outras cidades e estados. Ao longo de quase dois anos de apuração, a PF relacionou o grupo à apreensão de aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína em 11 flagrantes.
Prisões e foragidos
Mario e a filha Brenda foram presos em um hotel em Uberaba durante o cumprimento dos mandados de prisão. Para os investigadores, Brenda exercia papel de destaque dentro da estrutura criminosa e seria o braço direito do pai. "Uma das filhas é uma advogada que é o braço direito dele, e tanto ele quanto essa filha foram encontrados e presos em Uberaba, no início do dia, num hotel. Então assim, aparentemente, estavam planejando uma possível fuga", disse o delegado Garcia. Já a outra filha investigada era considerada foragida até a última atualização. Além do pai e das filhas, a esposa de Mario e genros também foram alvos de mandados judiciais, de acordo com a PF.
Patrimônio milionário
As investigações apontam que a família acumulou um patrimônio milionário que, segundo a PF, não era compatível com a renda oficialmente declarada. Entre os bens identificados estão ranchos às margens da Represa de Miranda, apartamentos, embarcações, motos aquáticas, cavalos de raça, carros importados e um motorhome de luxo. Segundo o delegado, o motorhome era frequentemente utilizado em viagens para Barretos (SP), onde uma das filhas participava de competições de três tambores. Inicialmente estimado em R$ 500 mil, o veículo teve o valor atualizado para cerca de R$ 1,2 milhão.
Lavagem de dinheiro
A PF suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações de aproximadamente R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. Brenda havia se formado recentemente em Direito, atuava em poucos processos e divulgava nas redes sociais que estudava para concursos da magistratura. Já a irmã atuava como psicóloga infantil. "Eles não tinham renda fixa declarada, então foram vários veículos de luxo, alguns já estavam colocados à venda. Eles já estavam tentando desfazer dos bens, provavelmente pelas recentes apreensões que ocorreram no mês passado e no mês retrasado", concluiu Garcia.
Operação Mens Occulta
O nome da operação, em latim, significa "mente oculta" e faz referência à suposta estratégia adotada pelo líder da organização criminosa, que, segundo a PF, evitava se expor diretamente e procurava manter familiares afastados da aparência das atividades ilegais. Os mandados foram autorizados pela Justiça Federal de Uberlândia. A operação ocorre simultaneamente em cidades de três estados: Minas Gerais (Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã e Belo Horizonte), Espírito Santo (Cariacica) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Corumbá). Ao todo, a Operação Mens Occulta mobilizou 230 policiais federais para o cumprimento de 25 mandados de prisão preventiva e 49 mandados de busca e apreensão. Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.



