Peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) do Amazonas começaram, nesta segunda-feira (20), a perícia na Unidade 4 da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, quase cinco dias após o vazamento de monômero de estireno, substância tóxica, de um tanque de armazenamento. A investigação busca esclarecer as causas e circunstâncias do incidente, que é apurado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Vazamento e contenção
O vazamento foi registrado às 17h36 da quarta-feira (15), na Unidade IV da Innova, após o monômero de estireno armazenado apresentar elevação anormal de temperatura. A empresa classificou a ocorrência como uma "emergência química". Na tarde de domingo (20), o Corpo de Bombeiros conseguiu conter o vazamento. Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as medições indicaram ausência de emissão do gás estireno. "Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno", afirmou.
Trabalhos periciais
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), nesta primeira etapa os peritos fazem uma avaliação preliminar da área e utilizam drones para registrar imagens e levantar informações. O órgão informou que os trabalhos terão continuidade nos próximos dias e que todas as hipóteses serão avaliadas tecnicamente. O laudo pericial não tem prazo para ser concluído. "O laudo não possui prazo para conclusão, em razão do volume de informações que ainda serão levantadas e analisadas em conjunto com os vestígios encontrados no local", disse a SSP-AM.
Investigação policial
Paralelamente, a Polícia Civil instaurou inquérito policial, conduzido pelo 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP), para apurar todas as circunstâncias. A corporação informou que, por enquanto, não divulgará outras informações para não comprometer as investigações.
Liberação de atividades
Um comitê formado por órgãos estaduais, Suframa e Crea-AM decidiu liberar o retorno das atividades nas indústrias do Polo Industrial, escolas estaduais e serviços públicos a partir desta segunda-feira (20). As escolas estaduais que tiveram atividades suspensas na região retomam as aulas. O Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 também volta a funcionar normalmente.
Falta de orientação à população
Na sexta-feira (17), a moradora Rosivete Ferreira, de 63 anos, afirmou ao g1 que a população do entorno nunca recebeu orientação sobre como agir em acidentes químicos. Ela disse que apresentou sintomas como náuseas, enjoo, aperto na garganta, dor de cabeça e ardor nos olhos, compatíveis com os efeitos da exposição ao monômero de estireno, segundo a chefe do Departamento de Química da Ufam, Karime Bentes. "Eu senti náuseas, muito enjoo, um aperto na garganta e dor de cabeça. Meu olho ficou parecendo que estava cheio de pimenta, ardendo demais", relatou.
O Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. A retirada do produto e desativação da estrutura poderão durar meses. O monitoramento da qualidade do ar na região continuará de forma preventiva.



