Pedreiro fingiu comoção após matar ex a facadas no litoral de SP
Pedreiro fingiu comoção após matar ex a facadas em SP

Severino Alves Pereira, pedreiro de 56 anos, tentou chorar e fingiu estar comovido na delegacia após assassinar a ex-companheira Paula Santos da Silva, de 37, a facadas em São Vicente, litoral de São Paulo. O comportamento foi relatado ao g1 pela irmã da vítima, Beatriz Santos Freitas, de 29 anos.

“A gente ficou incrédulo porque imaginávamos que tinha sido qualquer outra pessoa menos ele, porque ele estava lá [na delegacia] solícito. Ele até meio que tentou chorar ali. Agora, lembrando assim, ele fingiu uma comoção”, contou Beatriz.

Relação oculta e motivação do crime

Beatriz explicou que só sabia que Severino prestava serviços de manutenção para Paula. A irmã nunca mencionou ter tido qualquer relacionamento com o pedreiro; estava apaixonada por um policial conhecido na capital paulista. A irmã acredita que essa seja a motivação do crime: “Ela deixou de dar atenção para esse senhor, que é esse Severino. E aí ele deve ter se sentido ferido e tudo mais, e fez isso [...]. Esse policial era quem ela amava mesmo, isso eu tenho certeza.”

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Após o ataque, Severino retornou ao condomínio para ver a filha da vítima, de 9 anos, e a acompanhou até a delegacia. Na ocasião, ainda não reconhecido como autor, identificou-se como companheiro da mulher. “Falou que era noivo dela, que o casamento já estava marcado, que comprou um apartamento para ela. A gente ficou sem entender nada porque a gente nunca tinha visto ele”, disse Beatriz.

Descoberta do autor e luto

A família descobriu que Severino era o assassino por meio de uma reportagem. “Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer com a minha irmã. A gente imagina e vê na televisão muitas coisas, mas com a família da gente não. Nunca”, lamentou Beatriz. Ela ainda voltou à delegacia para tentar conversar com Severino, mas não foi autorizada a entrar.

Beatriz descreveu a irmã como “alegre, dócil, prestativa demais. Talvez tenha sido por isso que aconteceu essa coisa toda porque ela era uma pessoa que dava atenção demais para todo mundo. Era uma ótima mãe, cuidava da filha de uma forma surreal e sozinha”. O velório ocorreu em São Vicente na quarta-feira (15), e o corpo foi sepultado em Bananeiras, Paraíba, na quinta-feira (16), para que os pais e os outros três irmãos pudessem se despedir.

Detalhes do crime e prisão

Paula e Severino mantiveram um breve relacionamento. Sem aceitar o término, ele esperou a mulher sair do trabalho na segunda-feira (13) e a atacou com facadas na barriga e no pescoço, na Rua Tibiriçá, Centro da cidade. A vítima conseguiu percorrer alguns metros antes de cair em frente ao edifício onde morava, na Rua Frei Gaspar. Imagens de monitoramento registraram a mulher caminhando com dificuldade e pedindo socorro.

Severino foi reconhecido pelas câmeras e, ao ser questionado, confessou o crime. Segundo seu depoimento, ele atacou Paula, descartou a faca na Ponte Pênsil, lavou as mãos na Praça da Biquinha e depois retornou ao condomínio para saber da filha da vítima. Preso em flagrante, deve responder por feminicídio qualificado, com agravantes de recurso que dificultou a defesa da vítima e emboscada.

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