Casal de pastores é investigado por abuso sexual de seis adolescentes em Roraima
Pastores investigados por abuso sexual de seis adolescentes

Um casal de pastores evangélicos, Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, é investigado pela Polícia Civil de Roraima por suspeita de abusar sexualmente de ao menos seis adolescentes. Os crimes teriam ocorrido entre abril e outubro de 2023, e a investigação é conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Como os crimes eram cometidos

Segundo a polícia, os suspeitos usavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas, que tinham entre 12 e 17 anos. A investigação aponta que elas eram submetidas a chantagens, pressão psicológica e influência espiritual, o que impedia que manifestassem consentimento livre para os atos. A delegada Kamilla Basto, da DPCA, afirmou: "Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas."

Vítimas e denúncias

A investigação começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente de 14 anos. Depois, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram abusos semelhantes. O casal é investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. A delegada destacou o "elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento".

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Papel da esposa e tentativa de destruir provas

Wenderson usava a liderança religiosa para facilitar os crimes, e Arielly participava da aproximação com as adolescentes e colaborava com o marido. Além disso, uma jovem de 20 anos, a pedido de Wenderson, tentou destruir provas armazenadas no celular dele, com ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas. Essa jovem foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.

Silenciamento e regras da igreja

A polícia afirma que o casal desencorajava denúncias ao fazer com que fiéis e vítimas temessem ser acusados de rebeldia na igreja. Esse receio era reforçado por uma regra do estatuto da igreja, que previa o desligamento de membros que promovessem dissidências ou se rebelassem contra a autoridade religiosa. A delegada Kamilla reforçou: "Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei."

Procurada, a defesa dos investigados não enviou resposta até a última atualização da reportagem. A Polícia Civil segue com as investigações e aguarda manifestação da Justiça para possíveis medidas cautelares.

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