Pará registra 632 mortes por intervenção policial em 2025, maior número da série histórica
Pará: 632 mortes policiais em 2025, recorde histórico

O Pará registrou 632 mortes por intervenção policial em 2025, 35 a mais do que no ano anterior, segundo o estudo "Pele Alvo", produzido pela Rede de Observatórios da Segurança e divulgado nesta quarta-feira (1º). O número é o maior da série histórica, iniciada em 2019, e ocorre no ano em que Belém sediou a COP 30.

Perfil das vítimas e distribuição geográfica

Na capital paraense, foram contabilizadas 99 mortes, o maior número absoluto entre os municípios do estado. Belém, Ananindeua e Marituba somam, juntos, 193 vítimas. Entre os casos com informação de raça ou cor, 516 vítimas eram pretas ou pardas, conforme critério do IBGE. O estado registrou a segunda maior taxa de mortes de pessoas negras entre os estados monitorados, com oito mortes por 100 mil habitantes, atrás apenas da Bahia.

Das vítimas, 418 tinham entre 12 e 29 anos e 244 não haviam completado o ensino fundamental. A Polícia Militar foi responsável por 89,7% das mortes. O estudo também aponta 19 homicídios cometidos por agentes do Estado fora de situações de confronto.

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Posição do governo estadual

O governo do Pará alega que o estado registra "redução contínua nos principais indicadores de criminalidade, mantendo como prioridade o enfrentamento à violência e a redução da letalidade policial". Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou que os policiais usam câmeras corporais, drones táticos e pistolas não letais, e são continuamente capacitados com "qualificação técnica e psicológica para eficácia das ações".

A Segup compara dados de 2025 com 2018 e afirma que houve "redução de 7,6% nas Mortes por Intervenção Legal de Agentes do Estado (MILAE)". O governo também divulgou que, entre janeiro e junho de 2025, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) caíram 61,17% em relação ao mesmo período de 2018, e que junho de 2025 teve o menor número de CVLI dos últimos 16 anos.

Cenário nacional

Nos nove estados analisados (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo), 2025 registrou 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial, aumento de 6,4% em relação a 2024 e o maior número da série recente. Desconsiderando os casos sem informação de raça ou cor, 86,3% das vítimas eram negras, totalizando 3.104 pessoas. Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834) apresentaram os maiores números de mortes desde 2019.

Críticas do estudo

O estudo "Pele Alvo" aponta que o cenário evidencia o caráter seletivo da violência policial e reforça desigualdades raciais. A sétima edição mantém o objetivo de ampliar o debate sobre letalidade policial e denunciar impactos desproporcionais sobre a população negra. Apesar de investimentos em políticas públicas, como as Usinas da Paz, permanecem no Pará práticas de policiamento militarizado e confrontos armados, segundo a publicação.

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