Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pela polícia como organizadora do evento de rope jump que resultou na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 18 anos, negou em carta divulgada pela defesa na noite desta segunda-feira (6) que era responsável pelas atividades e pelo grupo. Na carta, escrita enquanto está presa, ela acusa Luis Felipe Feliciano Egoroff, outro suspeito detido, de ser o verdadeiro organizador.
Acusações e defesa
“Toda parte de organização, planejamentos, decisões dos eventos era feita pelo Luis Felipe, que era a pessoa responsável por coordenar as equipes, definir a estrutura e cuidar de tudo o que era necessário para a realização dos eventos. Minha participação era somente nas atividades que eu era chamada para trabalhar”, afirmou Evelyne no documento. Ela se descreve como freelancer que atuava na divulgação e vendas, sem poder de decisão sobre segurança ou operação.
A tragédia ocorreu na manhã de 13 de junho, quando Maria Eduarda caiu de uma altura de 40 metros na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP). A jovem foi lançada sem estar presa às cordas de segurança. Quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil: Luis Felipe, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves (instrutores) por homicídio com dolo eventual, e Evelyne por homicídio qualificado e fraude processual.
Detalhes da carta
Na carta, Evelyne relata que trabalhava com a equipe “Entre cordas” há oito meses, recebendo pagamento de Luis Felipe. “Eu não tinha poder de decisão sobre a realização dos eventos, não fazia contratações, não realizava pagamentos, não coordenava funcionários e nem participava das decisões sobre montagem, manutenção, funcionamento dos equipamentos ou questões de segurança”, escreveu. Ela afirma que o dinheiro das vendas ia diretamente para Luis Felipe e que os comprovantes da maquininha de cartão estavam em nome dele.
Sobre o dia do acidente, Evelyne diz que permaneceu na parte de cima da ponte e não desceu. “Depois que eu entendi o que havia acontecido, fiquei desesperada e com muito medo, e não saí de lá de cima.” Ela nega ter orientado alguém a sumir com a câmera que estava no pulso da vítima, como aponta a polícia. “Não sei onde está a câmera usada nos eventos, pois ela nunca esteve sob minha responsabilidade ou controle.”
Investigação e indiciamentos
A Polícia Civil concluiu dois inquéritos. O primeiro, em 22 de junho, indiciou os três instrutores. O segundo, nesta semana, indiciou Evelyne por homicídio e fraude processual. A delegada Andrea Levy destacou que o evento era realizado com “relevantes falhas organizacionais e de segurança, caracterizado por deficiência de protocolos operacionais, ausência de controles adequados, elevado número de participantes e execução da atividade em condições incompatíveis com o grau de risco envolvido”.
Outros quatro investigados não foram indiciados: Luís Gustavo de Oliveira, Kauê Felipe Silva Silveira, João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins. João e Gabriel chegaram a ser presos, mas a polícia solicitou a revogação das prisões. Todos os indiciados permanecem presos.
Reações das defesas
A defesa de Luis Felipe e Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso, classificando o ocorrido como “uma fatalidade inexplicável”. Já o advogado de Evelyne, Maurício Marchiori, disse que respeita a conclusão do inquérito, mas discorda do indiciamento. “As teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, confiando que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos”, afirmou.
Os advogados de João Antonio pedem indenização pelo período em que ele ficou preso, considerando a prisão ilegal. A defesa de Gabriel Barros afirma que a suspeita é um equívoco. O g1 tentou localizar a defesa de Vitor de Freitas Gonçalves, Kauê Felipe Silva Silveira e Luís Gustavo de Oliveira, mas não obteve retorno até a última atualização.



