Operação prende chefe de investigadores, ex-estagiário do MP e ex-policial em Campinas
Itamar Gomes da Silva, ex-policial civil, foi preso nesta terça-feira (9) durante a operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga agentes públicos suspeitos de repassar informações sigilosas e beneficiar integrantes do PCC. As investigações apontam que Itamar, o ex-chefe da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e um ex-estagiário do MP participaram de um esquema que envolve vazamento de dados sigilosos, extorsão de investigados e contatos com suspeitos de planejar o assassinato de um promotor do Gaeco.
Segundo o MP, Itamar era o responsável por conectar o ex-investigador Maurício Aparecido de Oliveira ao empresário José Ricardo, apontado como um dos líderes do plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Vídeos obtidos pela GloboNews mostram o encontro entre os dois investigados nos dias que antecederam a operação que frustrou o suposto atentado. Itamar, preso em Cardoso (SP), já havia sido detido em 2008 e expulso da Polícia Civil após condenação por extorsão. Na época, segundo a denúncia, ele e outros dois policiais prenderam uma mulher investigada por tráfico e exigiram dinheiro de um suposto chefe da quadrilha para libertá-la.
Outros presos na operação
Ex-chefe de investigadores da Dise
Maurício Aparecido de Oliveira, ex-chefe dos investigadores da Dise de Campinas, foi um dos presos. Atualmente, ele trabalhava no 1º Distrito Policial da cidade. De acordo com o MP, uma semana antes da operação que desarticulou o plano de matar o promotor Amauri Silveira Filho, em agosto de 2025, Maurício se reuniu com um dos suspeitos de executar o atentado. Os promotores encontraram vídeos que mostram o encontro e agora investigam se informações sigilosas foram repassadas ao grupo criminoso. O g1 tenta localizar a defesa de Maurício.
Ex-estagiário do Ministério Público
Gabriel Lira de Jesus, bacharel em direito e ex-estagiário do MP em Campinas, também foi preso. A defesa dele não foi localizada. Segundo o Gaeco, ele usou o acesso a sistemas e bancos de dados da instituição para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações. A suspeita é que ele tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações para esse tipo de prática. A investigação descobriu mensagens no celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", suspeito de financiar o plano de matar o promotor. Nas mensagens, Gabriel cobrava R$ 500 mil para que informações sobre o empresário não fossem enviadas ao Gaeco. Ele deixou a promotoria semanas após operações contra "Dragão" e passou a trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.
Investigação
A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas operações do ano passado:
- Operação Pronta Resposta: deflagrada em agosto, apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, entre outros crimes, planejava um atentado contra o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho.
- Operação Off White: deflagrada em 30 de outubro de 2025, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil, incluindo Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi), um dos principais chefes do PCC em liberdade.
Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso (SP). Um policial penal também é investigado e foi alvo de buscas.
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