A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Metástase, que investiga um esquema interestadual de roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Cinco pessoas foram presas em quatro estados, e 97 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A quadrilha, que contava com apoio do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou R$ 33 milhões em apenas um ano, utilizando empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado.
Esquema de roubo e distribuição ilegal
Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), os roubos ocorriam nas proximidades do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde as cargas de medicamentos chegavam. A organização criminosa falsificava notas fiscais e distribuía os produtos para receptadores, que os repassavam a hospitais por meio de atravessadores.
O delegado Paul Verduraz, responsável pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Deic, afirmou que o crime vinha sendo praticado desde 2023. "(Roubo era de) medicamentos oncológicos que chegavam no Aeroporto de Galeão. Esses roubos eram efetuados nas proximidades do terminal e, depois, essa organização criminosa conseguia fazer a distribuição dessa carga mediante falsificação de notas fiscais e aos receptadores que distribuíam o medicamento para hospitais através de atravessadores", destacou.
Ações em quatro estados
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, equipes foram para o Complexo da Maré, onde houve intenso tiroteio e barricadas em chamas, e para endereços na Baixada Fluminense. Mandados também foram cumpridos na cidade de São Paulo, em Santo André, São Caetano do Sul e Jundiaí (SP). As cidades de Goiânia (GO) e Belém (PA) também tiveram apoio das unidades policiais locais.
Em Jundiaí, um mandado de busca e apreensão foi cumprido, mas nada foi apreendido e ninguém foi preso. As investigações apontavam que sócios de empresas falsas, ligadas à organização criminosa, estavam localizados no município.
Impacto e continuidade das investigações
A Operação Metástase representa um duro golpe no crime organizado que atua no roubo de medicamentos essenciais para pacientes com câncer e transplantados. A movimentação financeira de R$ 33 milhões em um ano demonstra a escala do esquema, que desviava remédios de alto custo do sistema de saúde. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e responsabilizar os receptadores.



