A Operação Hawala, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e pela Polícia Civil do RJ, resultou na prisão de um homem em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou pelo menos R$ 100 milhões para facções criminosas. O suspeito foi localizado na casa do sogro, em um condomínio no bairro Três Fronteiras, e encaminhado para a Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu.
Investigação aponta conexão com Al-Qaeda
De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, "durante as apurações, os agentes identificaram uma possível conexão com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda". A Al-Qaeda é uma rede terrorista internacional criada por Osama bin Laden no final dos anos 1980, conhecida pelos ataques de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas de Nova York.
Ao todo, 10 pessoas foram presas no âmbito da operação até a última atualização: Ali Alfakih, Barbara de Oliveira Rosa, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Kassem Zayoun, Lucas Gabriel Vidal, Reda Zayoun, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel e Yasser Zayoun. O g1 tenta identificar as defesas dos presos.
Esquema beneficiava facções criminosas
Segundo as investigações, o grupo é suspeito de movimentar pelo menos R$ 100 milhões em recursos ligados ao tráfico de drogas. O esquema prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e participações societárias.
Investigação começou com loja de falsificados
A investigação teve início na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma "multimarcas" sediada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula do TCP, que vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados. A especializada rastreou os donos da firma e encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados, criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava a técnica de smurfing — depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle.
Núcleo libanês e atuação na tríplice fronteira
Durante as diligências, os agentes identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Também há elementos que indicam atuação na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Ligação com operador da Al-Qaeda
Os agentes identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control, órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável por punições econômicas. "De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação", declarou a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O Gaeco denunciou 22 pessoas. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus.



