Operação Hawala: esquema de lavagem de dinheiro para facções é desarticulado
Operação Hawala desarticula lavagem de dinheiro de facções

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira a Operação Hawala, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas que atuava por meio de lojas de equipamentos de celulares e peças para aparelhos. A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), resultou no cumprimento de dez mandados de prisão expedidos pela Justiça, com detenções no Rio de Janeiro, Nova Friburgo, Foz do Iguaçu e São Paulo.

Funcionamento do esquema

De acordo com o delegado Pedro Brasil, titular da DDSD, o esquema envolvia a inserção de valores de diferentes facções criminosas. O dinheiro era utilizado para comprar peças e acessórios no exterior, que eram vendidos como se fossem legais. Os valores eram declarados como provenientes de lucro das vendas. Além disso, foram identificados depósitos fracionados para enganar a Receita Federal e pulverização do patrimônio para dificultar a investigação financeira.

— Havia a inserção de valores através de diferentes facções. Esse dinheiro era utilizado para comprar, no exterior, peças e acessórios, que eram vendidos como se legais fossem. Eles declaravam esses valores como sendo provenientes de lucro das vendas. Além disso, foram identificados diversos depósitos fracionados, para tentar enganar a Receita Federal, e pulverização do patrimônio para dificultar a investigação financeira — explicou Brasil.

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Presos e conexões com facções

As investigações apontam que os suspeitos integram uma organização que prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os presos no Rio estão Thierry Martins Lourenço Ribeiro e Bárbara Luzia Souza de Carvalho, esta encontrada nas proximidades do Morro São Carlos, na região central da capital fluminense.

— A Bárbara é proprietária de uma loja de celulares, onde foi detectada uma movimentação financeira muito grande, de mais de R$ 47 milhões, num curto espaço de tempo e não compatível com o porte do seu comércio. Ela chegou a declarar renda de R$ 880 por mês e já foi beneficiária de programas sociais. Então, essa movimentação é incompatível com o patrimônio declarado. Já o Thierry é o contador do esquema. Ele fez toda a manobra financeira para dar aparência lícita a um ativo ilícito — detalhou o delegado.

Chefe do grupo preso em Foz do Iguaçu

Preso em Foz do Iguaçu, o libanês Reda Zayoun é apontado como o chefe do grupo. Ele é irmão de Kassem Zayoun e Yasser Zayoun, também suspeitos de integrar o esquema e detidos em São Paulo, onde os três, que são empresários, moram.

— O Reda ia muito para Foz do Iguaçu. Já detectamos viagem dele para o Oriente Médio, provavelmente para fazer negócios — observou o delegado. — A Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, é uma região considerada pelo governo americano como de atuação de grupos terroristas, principalmente para lavar de dinheiro. É uma região muito sensível também porque, notoriamente, é uma porta de entradas para armas, munição e drogas, além de produtos de contrabando. Então, a atuação desse grupo nessa região nos chamou a atenção por ser uma região monitorada, ser uma região sensível e com forte vínculo com organizações criminosas atuantes no Brasil.

Contrabando de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras

Entre os materiais apreendidos na operação estão celulares, tablets, notebooks e automóveis. Outros itens encontrados apontam para outra vertente da quadrilha, até então não identificada pela investigação: o contrabando de cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras.

— Com as diligências de hoje, apreendemos um volume considerável de canetas emagrecedoras, cigarros eletrônicos e convencionais, todos importados ilicitamente. Então, esse vai ser um novo braço da investigação, para entendermos como funciona essa conexão com o contrabando. Acreditamos que, por eles atuarem muito na fronteira com o Paraguai, este país possa ser uma porta de entrada desses produtos — disse o delegado.

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Próximos passos e possível ligação com terrorismo

O próximo passo, segundo Pedro Brasil, será analisar e extrair informações dos dispositivos apreendidos, para obter novas provas que direcionem futuras investigações, inclusive o envolvimento com organizações terroristas.

— As informações (de ligação) com o terrorismo ainda são muito embrionárias. Nossas investigações identificaram uma transação financeira entre um sancionado da Ofac (Office of Foreign Assets Control, órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas), por ter financiado a organização terrorista Al-Qaeda, e o Reda. Além disso, um dos irmãos do Reda já postou nas redes sociais uma bandeira do grupo Hezbollah. Então, são indícios que apontam que pode haver uma ligação com organizações terroristas, mas isso ainda não foi comprovado — afirmou o delegado.