A Polícia Civil deflagrou a segunda fase da operação 'Estorno' em Juiz de Fora, Leopoldina e Belmiro Braga, mirando uma organização criminosa especializada em clonagem de cartões e fraudes bancárias. Segundo as autoridades, o grupo movimentou cerca de R$ 45 milhões em menos de cinco anos.
Líderes jovens e estilo de vida luxuoso
O delegado Márcio Rocha, responsável pelo caso, destacou que o volume financeiro e a estrutura técnica chamaram a atenção. 'Em menos de cinco anos, esse pessoal movimentou aproximadamente 45 milhões, então a gente não está falando de uma fraudezinha qualquer. Apesar de serem jovens e parecer que não estão fazendo nada tão grande, é uma organização criminosa sim e tem que ser combatida', afirmou.
O grupo era liderado por jovens entre 20 e 30 anos, que utilizavam o dinheiro dos desvios para financiar viagens, roupas de grife e outros bens de alto padrão.
Como o esquema funcionava
As investigações revelaram que a organização operava em rede, conectando Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. O núcleo criminoso atuava a partir de Juiz de Fora e dividia a fraude em três etapas:
- Compra de dados: Os líderes adquiriam listas vazadas de correntistas com alto poder aquisitivo no Rio de Janeiro.
- Sequestro e espelhamento: Com os dados, transferiam a linha telefônica da vítima para um chip controlado pelo grupo.
- Lavagem do dinheiro: Com acesso total às contas, faziam transferências e Pix. Para escoar os valores, compravam produtos de luxo em sites de e-commerce e passavam cartões clonados em máquinas adulteradas de comerciantes parceiros na Zona da Mata mineira.
'Nesse período que a pessoa fica impedida de entrar nos aplicativos, eles espelham esse telefone e entram no aplicativo do banco e, enfim, cometem os crimes diversos nos aplicativos que eles conseguem de entrar', explicou o delegado.
Histórico de prisões e apreensões
O esquema começou a ser desarticulado em novembro de 2025, em ação conjunta das polícias civis de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. A investigação teve início no Paraná, com a denúncia de uma vítima.
Primeira fase
Foram cumpridos 10 mandados de busca e cinco prisões em Juiz de Fora. Um suspeito de 23 anos foi localizado no bairro Paineiras, outro de 21 anos no Centro. Entre as prisões em flagrante, um homem de 29 anos foi detido por posse ilegal de arma de fogo e receptação no bairro Jardim Laranjeiras. Em um comércio no bairro Santa Luzia, um investigado de 43 anos foi preso por favorecimento real e desobediência. Já no bairro Ipiranga, uma suspeita de 27 anos foi flagrada pelo crime de receptação. Na ocasião, a polícia apreendeu bens de luxo, veículos, uma moto aquática e uma arma de fogo.
Segunda fase
A nova etapa prendeu cinco investigados em flagrante, com idades entre 22 e 28 anos, nos bairros Santa Luzia, Santos Dumont, Monte Castelo, Caiçaras e Marilândia, em Juiz de Fora. Um sexto suspeito rompeu a tornozeleira eletrônica em Belmiro Braga e fugiu. Foram apreendidos celulares, chips, cartões bancários, dinheiro e produtos de grife comprados de forma fraudulenta. Os investigados respondem por organização criminosa, estelionato, fraude bancária e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil informou que vai manter as investigações para identificar outros comércios envolvidos e localizar o suspeito foragido.



