O Anuário de Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23), aponta que as dez cidades com mais mortes violentas do Brasil estão no Nordeste. Metade desses municípios está na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba.
Maranguape lidera pelo segundo ano consecutivo
Maranguape (CE) permanece como o município mais violento do país, com taxa de 100,3 mortes violentas intencionais a cada 100 mil habitantes, um aumento em relação às 80 por 100 mil registradas em 2024. Entre as cinco primeiras colocadas, três são baianas: Eunápolis (2º, com 85,1), Porto Seguro (4º, com 71,2) e Simões Filho (5º, com 68,1).
Queda geral nas taxas estaduais, mas feminicídios batem recorde
No ranking estadual, o Amapá continua como o mais violento, embora tenha reduzido sua taxa em 6% (de 45,2 para 42,5). A Bahia caiu 10% (de 40,7 para 36,8) e o Ceará, 7,5% (de 37,5 para 34,7). Santa Catarina tornou-se o estado menos violento, com taxa de 7,6, superando São Paulo (7,8). No total, 19 estados e o Distrito Federal tiveram queda, enquanto sete registraram alta.
Contrariando a tendência de redução das mortes violentas, os feminicídios bateram recorde em 2025: quatro mulheres foram mortas por dia, em média. O país registrou 40.775 assassinatos, o menor número desde 2012, com taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes – a primeira vez abaixo de 20.
Outros indicadores de violência
As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%. Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdo de abuso sexual infantil cresceram 25%. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens, após a criação de tipo penal específico em 2024.
A quantidade de adolescentes em medida socioeducativa caiu 54% em nove anos, totalizando 12,2 mil jovens – 93% meninos, 74% negros e 76% entre 16 e 18 anos. As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%). O sistema prisional brasileiro chegou a 964 mil pessoas, um crescimento de 6%, com projeção de atingir 1 milhão em 2027.
Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas, sendo 1 milhão de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada dez armas estão com registro vencido.



