Um caso que chocou Santa Catarina ganhou novos detalhes nesta semana. Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa após se passar por uma adolescente de 12 anos e viver como filha adotiva de uma família em Joinville, no Norte do estado. O delegado Rodrigo Gusso, responsável pela investigação, explicou como a mulher agia para não ser descoberta.
Estratégia de fuga
Segundo o delegado, Amanda "simplesmente desaparecia" quando percebia que a mentira estava prestes a ser revelada. "O que a gente percebeu é que quando ela via que a mentira estava para ser descoberta, ela pulava fora, caía no mundo. Aqui em Santa Catarina não deu tempo, pois foi presa antes", declarou Gusso. A mulher nunca portava documentos, o que dificultava a identificação. As informações sobre seu modus operandi foram obtidas pela polícia catarinense a partir de relatos de outros estados.
Denúncia aceita pela Justiça
Na terça-feira (9), o Poder Judiciário aceitou a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina contra Amanda. Ela agora é ré em um processo criminal, respondendo pelos crimes de falsa identidade e estelionato. O exame de sanidade mental está marcado para 26 de junho, e ela permanece presa. O crime foi descoberto em 2 de junho, quando a investigada foi detida na casa das vítimas que a haviam "adotado".
Confissão e alcance do golpe
Em depoimento, Amanda confessou ter aplicado o mesmo golpe em Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará. A defesa da mulher, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, afirmou em nota que "recebe com serenidade a denúncia apresentada pelo Ministério Público" e destacou que o processo está suspenso até a realização do exame pericial.
Como a golpista encontrou a família de Joinville?
A aproximação de Amanda, que se apresentava como Gabriele, começou por intermédio de um pastor de uma igreja local. Inicialmente, ela disse ter 18 anos, experiência em panificação e buscava emprego. Com o tempo, relatou graves problemas de saúde e dificuldades financeiras, sensibilizando a família. Após conquistar a confiança, mudou a história, afirmando ter 11 anos e sido vítima de abusos. O casal a convidou para morar na casa, deu uma festa de aniversário de "12 anos" e até tratamento para emagrecimento com Mounjaro.
O casal só procurou a polícia no final de maio, quando uma tia fez buscas na internet e encontrou reportagens sobre crimes cometidos por Amanda em outros estados.
O que diz a defesa
A Defesa recebe com serenidade a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Cumpre destacar que, na mesma decisão em que recebeu a denúncia, o Magistrado determinou a suspensão do processo até a realização de exame pericial pela Polícia Científica, agendado para o dia 26 de junho de 2026. Assim, até que o laudo pericial seja concluído e juntado aos autos, o processo permanecerá suspenso, aguardando o resultado da perícia.



