O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligada à Gráfica Alvorada, suspeitos de integrarem uma organização criminosa que fraudou mais de R$ 27 milhões na compra de livros didáticos. Segundo a Operação Gutenberg, prefeituras do estado eram pressionadas a adquirir livros do grupo para obter vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias.
Família investigada e prisões
Os alvos da operação, deflagrada em 7 de janeiro, incluem a empresária Rossana Paroschi Jafar, seus filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, e a ex-nora Rhayane Souza Fanaia. Rossana, Olívia e Felipe estão presos em Campo Grande; Rhayane foi detida em Goiás; Giovanni, com prisão preventiva decretada, está foragido. A defesa deles não foi localizada pelo g1.
Esquema de condicionamento de vagas
Investigações apontam que servidores da Saúde estadual condicionavam a liberação de vagas em hospitais, exames e cirurgias à compra de livros didáticos vendidos pelo grupo familiar. O MPMS afirma que os contratos investigados somam mais de R$ 27 milhões em recursos públicos, distribuídos entre integrantes da organização e servidores para ocultar a origem dos valores.
Perfil dos investigados
Rossana Paroschi Jafar, cirurgiã-dentista e empresária, foi presa também por posse de munições, mas obteve liberdade provisória nesse processo, permanecendo detida pela fraude. Olívia, médica e proprietária da Clínica Ross, segue presa preventivamente. Felipe, engenheiro ex-servidor comissionado da Agesul, foi exonerado após a prisão. Giovanni, empresário e sócio da Bold Tech Ltda., está foragido. Rhayane, ex-nora, está ligada à Editora Avante.
Operação e contratos
A operação ocorreu em oito municípios, incluindo Campo Grande, Dourados e São Paulo, com apoio do Batalhão de Choque e Bope. O nome "Gutenberg" alude ao uso de livros para dar aparência de legalidade ao esquema. Ao todo, 16 suspeitos tiveram mandados de prisão decretados, incluindo o ex-prefeito Eronivaldo Vasconcelos Júnior e o coordenador de regulação Ed Carlo Burgatt.
O MPMS destaca que a organização continuava ativa com contratos em vários municípios. As defesas de alguns investigados afirmaram não ter acesso aos autos; outras não foram localizadas.



