O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu inquérito civil para investigar possíveis danos ambientais e riscos à saúde pública causados pelo vazamento de gás estireno na fábrica da Innova, no Distrito Industrial de Manaus. O acidente ocorreu em 15 de julho de 2025, quando o monômero de estireno armazenado em um reservatório apresentou elevação anormal de temperatura, classificada pela empresa como "emergência química".
Investigação requisita documentos e relatórios
A promotoria, por meio da 49ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Prodemaph), sob responsabilidade da promotora Ana Cláudia Daou, requisitou ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) documentos sobre licenciamento ambiental, procedimentos administrativos e relatórios de fiscalização, com prazo de dez dias. Também solicitou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informações sobre medidas adotadas e avaliações técnicas de possíveis danos.
Paralelamente, o Ipaam coletou amostras de água na empresa e em um igarapé próximo, que serão analisadas em laboratório para verificar impactos ambientais.
Empresa acumula multas milionárias
A Innova já soma mais de R$ 22,4 milhões em multas ambientais. O Ipaam autuou a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental. A Prefeitura de Manaus aplicou duas multas totalizando R$ 9,9 milhões por poluição do ar, solo e corpo hídrico. Além disso, a Subsecretaria de Gestão de Vigilância Sanitária (Visa Manaus) instaurou um Processo Administrativo Sanitário (PAS), com multa potencial de até R$ 61,1 mil, devido ao risco sanitário coletivo.
Vazamento contido e perícia em andamento
No domingo (19), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) confirmou que não havia mais emissão de gás estireno. "Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido", afirmou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz. Na segunda-feira (20), peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizaram perícia na fábrica para identificar as causas. Na terça-feira (21), a corporação encerrou a fase operacional, e a empresa passou a ser responsável pela retirada do tanque e destinação do material, sob supervisão ambiental.
Mais de 600 pessoas expostas ao estireno
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que 648 pessoas buscaram atendimento após exposição ao estireno. Destas, 67% estavam no ambiente de trabalho, com tempo médio de contato de três horas. Os sintomas mais comuns foram problemas respiratórios (78%) e alterações na pele (20%). Adultos entre 20 e 59 anos foram os mais afetados, mas também houve crianças e adolescentes. A maior procura ocorreu nos dois dias seguintes ao vazamento: 364 atendimentos em 16 de julho e 163 em 17 de julho. Dois óbitos estão sob investigação para verificar possível relação com a exposição.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou 614 atendimentos na rede estadual até 22 de julho, com queda progressiva: de 125 no primeiro dia para 22 no sexto dia. Não há pacientes internados com sintomas relacionados. A orientação é procurar uma unidade de saúde ou acionar o Samu (192) em caso de sintomas.
Detalhes do incidente
O vazamento de monômero de estireno ocorreu às 17h36 de 15 de julho na Unidade IV da Innova. O forte odor foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial, levando à evacuação de um shopping nas proximidades. O monômero de estireno é usado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea. Equipes do CBMAM atuaram no resfriamento do tanque, e a principal hipótese é de reação espontânea no interior da estrutura.



