MP-SP pede condenação de 11 por lavagem e corrupção ligadas ao PCC
MP-SP pede condenação de 11 por lavagem e corrupção

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça a condenação de sete policiais civis e outros quatro investigados no âmbito da Operação Tacitus, que apurou um esquema de lavagem de dinheiro, extorsão e cobrança de propina milionária envolvendo o empresário Antônio Vinícius Gritzbach, conhecido como "delator do PCC". Gritzbach, que denunciou o suposto envolvimento de agentes públicos com a facção criminosa, foi assassinado no final de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Estrutura criminosa revelada

No memorial final enviado pelo núcleo da capital paulista do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP, os promotores afirmam que os acusados participavam de um sistema estruturado de gestão financeira do PCC, com ocultação de patrimônio, uso de empresas de fachada e intermediação por operadores financeiros. A Promotoria entendeu que há provas suficientes de autoria e materialidade para os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, usura (agiotagem) e tráfico de drogas, por integrarem e promoverem a atividade criminosa do PCC.

As provas foram obtidas por meio de quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e da Receita Federal, colaborações premiadas, depoimentos testemunhais, registros audiovisuais e interrogatórios.

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Dinâmica criminosa comprovada

O Ministério Público destaca duas estruturas principais:

  • Economia do crime do PCC: lavagem de dinheiro como etapa essencial, com uso de imóveis, empresas e contas para ocultação patrimonial.
  • Corrupção de agentes públicos: policiais atuando para proteger a facção, facilitar crimes e obter vantagens indevidas.

O MP pediu à Justiça a condenação de todos os réus, parcial ou por todos os crimes investigados. A exceção é Alberto Pereira Matheus Junior, delegado da Polícia Civil de São Paulo que ocupou postos de destaque no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc), para quem foi solicitada a absolvição integral por falta de provas.

Pedidos de condenação (parcial ou integral)

  • Ademir Pereira de Andrade, empresário e considerado operador financeiro do PCC
  • Ahmed Hassan Saleh, advogado e apontado operador ligado à liderança do PCC
  • Eduardo Lopes Monteiro, investigador da Polícia Civil de São Paulo (pedido de condenação parcial: MP pede absolvição por associação criminosa, um episódio de corrupção passiva e um episódio de lavagem de dinheiro)
  • Fabio Baena Martin, delegado da Polícia Civil de São Paulo (pedido de condenação parcial: MP pede absolvição por associação criminosa, um episódio de corrupção passiva e um episódio de lavagem de dinheiro)
  • Marcelo Marques de Souza ("Bombom"), investigador da Polícia Civil de São Paulo
  • Marcelo Roberto Ruggieri ("Xará"), investigador da Polícia Civil de São Paulo
  • Robinson Granger de Moura ("Molly"), empresário
  • Rogerio de Almeida Felicio, investigador da Polícia Civil de São Paulo
  • Danielle Bezerra dos Santos, esposa de Rogério Felicio
  • Valdenir Paulo de Almeida ("Xixo"), agente da Polícia Civil de São Paulo
  • Valmir Pinheiro ("Bolsonaro"), agente da Polícia Civil de São Paulo

Operação Tacitus

A Operação Tacitus foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Gaeco do MP-SP em dezembro de 2024 para desarticular uma organização criminosa envolvida em corrupção policial, extorsão e lavagem de dinheiro ligada ao PCC. As investigações tiveram como base as delações do empresário Vinícius Gritzbach. A ação resultou na prisão de um delegado e vários policiais civis de São Paulo suspeitos de cobrar propina milionária para não responsabilizar criminosos por homicídios e ocultar esquemas de lavagem de dinheiro.

Nos últimos meses, os investigados prestaram depoimento à Justiça. Assim como o Ministério Público, as defesas também terão prazo de 40 dias para apresentar suas considerações finais à Justiça antes da sentença. A expectativa é que a decisão seja publicada no início do segundo semestre de 2026.

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