Morte de pastor pela Rota gera protestos na Zona Leste de SP
Morte de pastor pela Rota gera protestos na Zona Leste

A morte do pastor José Carlos da Rocha Sobrinho, baleado por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) durante abordagem na Zona Leste de São Paulo, provocou protestos na noite de segunda-feira (13). Moradores do Jardim São Francisco fecharam a Avenida dos Sertanistas, sendo dispersados por equipes da Polícia Militar.

Detalhes da ocorrência

Segundo o boletim de ocorrência, José Carlos foi baleado por volta das 18h30 na Rua Vagner Araújo. Os policiais realizavam patrulhamento de rotina em área conhecida por receptação de veículos roubados. A versão oficial afirma que deram ordem de parada ao veículo dirigido pelo pastor, mas ele tentou fugir. Ao se aproximarem, os agentes alegam que José Carlos sacou uma arma, momento em que efetuaram os disparos. O pastor foi atingido no pescoço, na nuca e na coxa direita, socorrido ao Pronto-Socorro de Sapopemba, mas não resistiu. Os policiais apreenderam uma pistola com munições e registraram que a vítima tinha antecedentes criminais e seria integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Versão da família e testemunhas

Parentes afirmam que José Carlos era pastor há anos, tinha acabado de deixar uma irmã na igreja e voltava para casa quando foi abordado. Testemunhas questionam a narrativa policial. Uma delas, que preferiu não se identificar por medo, disse que não houve troca de tiros: "O cara é da igreja, irmão". Segundo essa testemunha, a viatura da Rota já estava no local antes da abordagem, parando pessoas, e permaneceu no ponto onde o pastor foi baleado por um bom tempo, como se estivesse esperando por ele. A testemunha ainda relatou que José Carlos conversou com os policiais por cerca de 15 a 20 minutos antes dos disparos. Após entrar em casa, ouviu cinco disparos seguidos. "Não. O que a gente viu foram cinco disparos direto", disse ao ser questionada se o pastor apontou arma contra a viatura.

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Câmeras corporais e investigação

O boletim de ocorrência informa que os policiais estavam equipados com câmeras corporais, mas elas só foram acionadas após os disparos. A Polícia Civil ainda não teve acesso às imagens. Moradores afirmam que, depois dos tiros, os agentes passaram pelas casas da região procurando câmeras de segurança. "Eles entraram dentro dos matos da região procurando por algo, com lanterna. Depois, eles ficaram de casa em casa, com lanterna, olhando os batentes da casa, vendo se achavam algum tipo de câmera", relatou uma testemunha. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso, e a Corregedoria da Polícia Militar também acompanha, segundo a Secretaria da Segurança Pública de SP (SSP).

Contexto de mortes pela Rota

Nos últimos dias, agentes da Rota mataram seis pessoas durante investigações da tentativa de assassinato do tenente Ronickson Pimentel, baleado na cabeça em 27 de junho. O principal suspeito, Hércules da Costa Siqueira, continua foragido, e a SSP oferece recompensa de R$ 50 mil por informações. Segundo levantamento do Ministério Público, a Polícia Militar matou 115 pessoas na capital paulista no primeiro semestre deste ano, maior número para o período em cinco anos, com alta de 10% em relação a 2025. Isso representa uma morte a cada um dia e meio. Em maio, o caso de Thawanna da Silva Salmázio, baleada por uma soldado em Cidade Tiradentes, só foi esclarecido graças a imagens de câmeras corporais. A Ouvidoria pediu que a corregedoria da PM investigue possível omissão de socorro naquele episódio.

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