Morte de Caíque Verli: colegas se despedem em Vitória; polícia investiga crise convulsiva
Morte de Caíque Verli: colegas se despedem; polícia investiga crise

Colegas de profissão, amigos e representantes de instituições prestaram as últimas homenagens ao repórter Caíque Verli na tarde desta quinta-feira (23), em Vitória. O jornalista foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava sozinho, no bairro Jardim da Penha. Antes de seguir para Carangola (MG), sua cidade natal, o carro da funerária passou pela sede da TV Gazeta, onde funcionários se reuniram para uma despedida marcada por emoção, orações, abraços e lágrimas.

Homenagens e despedida na TV Gazeta

Além de profissionais da Rede Gazeta, colegas de outras emissoras, empresas de comunicação e órgãos públicos participaram da homenagem. Em um dos estacionamentos em frente à emissora, os presentes fizeram uma oração, se abraçaram e prestaram um minuto de silêncio em respeito ao jornalista. A apresentadora do programa Em Movimento, Daniela Carla, lembrou da amizade construída com Caíque desde o início da trajetória dele na televisão. "A gente tinha uma amizade muito linda. Quando eu o conheci, o santo bateu. Desde a primeira entrada ao vivo eu disse pra ele que ele nasceu pra isso. Ele era uma pessoa presente na minha vida", afirmou.

O cinegrafista Fernando Estevão também recordou os primeiros passos do repórter na profissão. "Eu tive a grande oportunidade de trabalhar com ele. A primeira matéria dele no curso de residência que ele fez foi comigo. Depois, a primeira matéria que ele fez na TV Gazeta foi comigo. Ele era muito querido por todo mundo aqui", disse.

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Investigação da Polícia Civil

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga se a morte de Caíque Verli tem relação com uma crise convulsiva. De acordo com a corporação, as diligências realizadas no local indicam que ele teria falecido em decorrência de questões de saúde. O repórter tinha histórico de crises convulsivas e, nos últimos meses, começou a fazer tratamento e tomar medicamentos para controlar os episódios. Recentemente, passou por exames mais elaborados para tentar descobrir as causas do quadro. A confirmação definitiva da causa da morte será realizada a partir do resultado dos exames de perícia.

O corpo do jornalista foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para passar por necropsia e, em seguida, será liberado à família. O velório e o sepultamento serão realizados em Carangola, Minas Gerais, na Capela do Pleno Zelo. O velório está previsto para as 7h desta sexta (24), e o enterro, às 14h.

O encontro do corpo

O corpo de Caíque Verli, 33 anos, foi encontrado caído no chão, perto da cama, dentro do apartamento onde morava sozinho em Jardim da Penha. Como ele não chegou cedo para trabalhar, por volta das 5h30, colegas ligaram para ele, mas sem retorno. Quando se atrasava, Verli tinha costume de atender às ligações. Uma equipe da TV Gazeta foi até a residência para saber se estava tudo bem, exatamente porque já sabia do histórico de convulsões.

Os dois colegas de trabalho tiveram acesso ao apartamento e viram o repórter caído. Uma equipe do Samu foi chamada. A Polícia Civil também foi ao local e constatou o óbito. As diligências indicam que a morte teria sido decorrente de questões de saúde. Segundo a TV Gazeta, ele teria passado mal, mas não conseguiu pedir ajuda. De acordo com amigos próximos, o repórter não tinha crises convulsivas há pelo menos seis meses. Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram que Verli chegou sozinho ao apartamento por volta das três horas da tarde desta quarta-feira (22).

Memória honrada e legado

O editor-chefe da TV Gazeta e dos portais g1 ES e ge ES, Bruno Dalvi, afirmou que o jornalista era querido pelos colegas e que sua memória será honrada. "Caíque era um jornalista muito comprometido com o trabalho, responsável, e cultivava boas fontes, principalmente na área de segurança pública, onde ficou reconhecido por sua atuação. Era um jovem alegre, animado, querido por todos os colegas. Hoje é um dia difícil para nós, da redação, mas vamos honrar a memória dele da forma que ele mais acreditava: fazendo Jornalismo! Caique era repórter, e um repórter tem a nobre missão de informar. É isso que faremos, ainda que com o coração partido, com o mesmo compromisso que ele sempre teve", disse.

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A editora e apresentadora do telejornal Gazeta Meio Dia, Rafaela Marquezini, lembrou da sensibilidade do profissional ao produzir reportagens. "Ele tinha muito cuidado com as fontes e respeito pela dor do outro. Tinha um faro apurado pelas notícias, era apaixonado por jornalismo. Vai fazer muita falta nas telas e na nossa redação".

A Rede Gazeta divulgou nota de pesar: "É com profundo pesar que a Rede Gazeta comunica o falecimento do jornalista e repórter Caique Verli. A família de Caíque já foi informada e está sendo acompanhada pela empresa em Minas Gerais, onde reside. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de profissão, a quem desejamos força e conforto. Caique deixa um legado de dedicação e comprometimento com o jornalismo, e será lembrado com carinho e admiração por todos que tiveram o privilégio de conviver e trabalhar ao seu lado. As causas do óbito estão sendo apuradas pela Polícia Civil do Espírito Santo".

Causa da morte e investigação

A Polícia Civil, com apoio da Polícia Científica, esteve no apartamento onde Caíque morava. Foram analisadas imagens de câmeras de segurança e ouvidos depoimentos de testemunhas. O caso foi registrado como encontro de cadáver e encaminhado ao Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), em Vitória. A confirmação definitiva da morte virá com o resultado dos exames periciais.

Caíque Verli era formado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e participou da 17ª turma do Curso de Residência da Rede Gazeta. Após a conclusão, começou a trabalhar na redação multimídia da Rede Gazeta em 2017, com passagens pelo site A Gazeta e rádio CBN Vitória.