Morre repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, no ES; causa pode ser crise convulsiva
Morre repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, no ES, aos 33 anos

O repórter Caíque Verli de Sousa, de 33 anos, da TV Gazeta, afiliada da Globo no Espírito Santo, foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (23) no apartamento onde morava sozinho, em Jardim da Penha, Vitória. A Polícia Civil investiga se a morte tem relação com uma crise convulsiva; diligências iniciais indicam causas naturais.

Carreira dedicada ao jornalismo

Natural de Carangola, Minas Gerais, Caíque construiu toda a trajetória profissional no Espírito Santo. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) em 2015, ingressou na 17ª turma do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta ainda em 2014. Após a formação, integrou a redação multimídia, produzindo conteúdo para veículos impresso e digital, e também atuou como repórter da rádio CBN Vitória.

Nos últimos anos, era repórter da TV Gazeta e colaborava diariamente com o g1, produzindo reportagens exclusivas a partir de apurações para o telejornal Gazeta Meio Dia. Ele se definia como um "jornalista por vocação e formação".

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Reconhecimento na cobertura de segurança pública

Caíque tornou-se referência na editoria de segurança pública, acompanhando as principais operações policiais do estado. Destaque para a cobertura exclusiva da prisão do traficante Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Marujo, um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo.

O editor-chefe da TV Gazeta, g1 ES e ge ES, Bruno Dalvi, destacou o comprometimento do jornalista: "Caique era um jornalista muito comprometido com o trabalho, responsável, e cultivava boas fontes, principalmente na área de segurança pública, onde ficou reconhecido por sua atuação. Era um jovem alegre, animado, querido por todos os colegas. Hoje é um dia difícil para nós, da redação, mas vamos honrar a memória dele da forma que ele mais acreditava: fazendo Jornalismo! Caique era repórter, e um repórter tem a nobre missão de informar. É isso que faremos, ainda que com o coração partido, com o mesmo compromisso que ele sempre teve".

Reportagens de impacto e legado humano

No g1, uma de suas reportagens de maior repercussão foi a história de um professor de Matemática demitido de uma escola em Vitória após escrever um comentário no quadro sobre um adolescente de 16 anos que ajudava a mãe a vender água de coco. O caso ganhou repercussão nacional e ficou entre as matérias mais lidas do Espírito Santo em 2024, com mais de 1 milhão de acessos.

A apresentadora do Gazeta Meio Dia, Rafaela Marquezini, lembrou do cuidado de Caíque com as pessoas retratadas: "Verli era um menino muito inteligente, com faro de notícia e apaixonado pelo jornalismo. Com um grande senso de responsabilidade e de cuidado com as fontes, ele lidava com pessoas em profunda dor, gente que tinha perdido alguém querido, que tinha passado por uma violência extrema, sempre com extremo cuidado e respeito. Além de um colega muito doce e querido. Vai fazer muita falta nas telas e na nossa redação".

Caíque foi finalista de prêmios, como o Prêmio de Jornalismo Cooperativista, consolidando uma trajetória marcada pela dedicação e pelo cuidado com a apuração. O editor-chefe do Gazeta Meio Dia, Luiz Veiga, destacou: "Um jovem de muito futuro no jornalismo que nos deixa tão precocemente. Foi um dia de muita tristeza em nossa redação que lembrará dele sempre com muito carinho e admiração".

Circunstâncias da morte

Na manhã de quinta-feira (23), Caíque não chegou ao trabalho no horário habitual, por volta das 5h30. Colegas ligaram para ele, mas não obtiveram retorno — algo incomum, já que ele costumava atender quando se atrasava. Uma equipe da TV Gazeta foi até sua residência, ciente do histórico de convulsões do repórter. Os dois colegas tiveram acesso ao apartamento e encontraram Caíque caído no chão.

O Samu foi acionado, e a Polícia Civil constatou o óbito. Diligências indicam que a morte teria sido por causas naturais. Segundo a TV Gazeta, ele teria passado mal e não conseguiu pedir ajuda. Amigos próximos afirmam que ele não tinha crises convulsivas há pelo menos seis meses. Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram que Verli chegou sozinho ao apartamento por volta das 15h da quarta-feira (22).

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