Minas Gerais registrou o pior desempenho em segurança da infraestrutura rodoviária entre os estados do Sudeste, de acordo com o Painel Rodovias que Perdoam, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgado neste mês. Quase um terço das estradas mineiras apresenta baixo nível de proteção ao motorista, condição que eleva o risco de mortes e ferimentos graves em acidentes.
Quase 31% das rodovias mineiras estão no nível crítico
Segundo o levantamento, apenas 22,4% das rodovias de Minas Gerais têm alto índice de segurança, enquanto 30,9% estão na faixa mais crítica e 46,7% apresentam nível intermediário. O índice "rodovia que perdoa" mede a capacidade da estrada de reduzir a gravidade dos acidentes. Falhas como ausência de acostamento, sinalização deficiente e falta de barreiras de proteção fazem com que erros humanos ou problemas mecânicos tenham consequências mais graves, conforme a CNT.
Comparação com outros estados do Sudeste
Na comparação com São Paulo, o contraste é significativo. O estado paulista lidera com 67,6% dos trechos em alto índice de segurança, contra apenas 4,7% no nível baixo. O Rio de Janeiro tem 52,2% com alto índice e 6,3% baixo; o Espírito Santo registra 23,8% alto e 13,3% baixo. Minas Gerais, portanto, é o estado com pior desempenho na região mais rica do país.
Impacto econômico e logístico
A precariedade da infraestrutura também afeta o custo do transporte. Segundo a CNT, trafegar por rodovias em más condições eleva o custo operacional em média 34,8%, com impacto direto na economia. "Minas ocupa uma posição estratégica na logística nacional e recebe um volume muito elevado de transporte de cargas e passageiros. Esse fluxo intenso acelera o desgaste da infraestrutura e exige um esforço permanente de conservação e modernização", afirmou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.
Problemas estruturais generalizados
Os dados da pesquisa mostram um cenário de deficiências na malha rodoviária mineira: 65,4% das rodovias têm algum problema (pavimento, sinalização ou geometria); 46,4% da geometria é considerada ruim ou péssima; 55,1% dos trechos não têm acostamento; 25,3% das curvas perigosas não têm sinalização adequada; e 87,9% da malha é de pista simples. Além disso, a CNT identificou 138 pontos críticos, como buracos grandes, erosões, pontes estreitas e quedas de barreira.
Extensão da malha e necessidade de investimentos
Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil, com cerca de 272 mil km de extensão, aproximadamente 16% de todas as rodovias do país. A CNT estima que seriam necessários R$ 15,84 bilhões para recuperar a malha pesquisada. "Porém, o investimento que vem acontecendo ao longo dos anos é muito inferior à necessidade. Além da quantidade de acidentes e das vidas perdidas nas rodovias, a falta de investimento gera um impacto financeiro. Este impacto afeta toda a economia do país", disse Rezende.
Rodovias concedidas versus públicas
O painel mostra desigualdade significativa entre rodovias sob responsabilidade do Dnit e do DER/MG e as estradas sob concessão. Nas rodovias concedidas, 60,2% têm alto índice de segurança e apenas 2,5% baixo nível. Nas públicas, apenas 1,5% têm alto índice e 46,6% baixo nível. No entanto, entre as 83 rodovias avaliadas em Minas, 25 estão sob concessão, mas apenas 8 delas têm mais de 50% dos trechos em alto nível de segurança.
Posicionamento dos órgãos
O Dnit informou que monitora as condições por meio do Índice de Condição da Manutenção (ICM). Em abril de 2026, o levantamento apontou que 90% das rodovias federais sob sua gestão em Minas Gerais apresentavam condições adequadas de tráfego. O DER/MG informou que prevê investir cerca de R$ 800 milhões na manutenção e conservação das rodovias estaduais em 2026.
Oito rodovias com 100% dos trechos em nível crítico
Em Minas Gerais, oito rodovias estão com 100% dos trechos classificados como baixo nível de segurança: BR-464, LMG-633, LMG-820, MG-114, MG-308, MG-449, MG-605 e MG-677. Delas, sete estão sob responsabilidade do governo de Minas e uma é do governo federal.
Medidas para melhorar a segurança
A CNT aponta que ampliar os investimentos em segurança viária é o principal caminho. Entre as medidas estão: implantação de acostamentos, instalação de defensas e barreiras, melhoria da sinalização, correções na geometria das vias, criação de áreas de escape e mapeamento de trechos com mais acidentes para direcionar recursos de forma eficiente.



