Um menino de 10 anos foi resgatado na quinta-feira (9) de um apartamento no Setor Faiçalville, em Goiânia, onde estava trancado em um quarto sem água ou comida. A criança, que tem diabetes, pediu para pegar seus medicamentos e um brinquedo ao ser retirada do local, conforme relatou o conselheiro tutelar José Roberto Silva.
Condições insalubres e resgate
O conselheiro tutelar descreveu o apartamento como insalubre, com forte odor, lixo espalhado, comida apodrecida e garrafas com urina. "Um mau cheiro insuportável. Lixo pra todo lado, comida velha, comida apodrecida, uma bagunça total", afirmou. A criança estava debilitada, com diabetes desregulada e glicemia acima de 500, sendo encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad).
O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados porque as portas do apartamento e do quarto estavam trancadas. Ao entrar, os militares encontraram roupas sujas espalhadas, lixo e comida apodrecida. A mãe do menino, que estava trabalhando no momento do resgate, foi levada à delegacia e deve responder por abandono de incapaz.
Declarações do conselheiro tutelar
Em entrevista ao g1, José Roberto Silva contou que a criança pediu para pegar um brinquedo e depois lembrou do remédio. "Eu fui tirando ele de lá, e ele falou: 'Vou pegar um brinquedo'. Quando nós fomos saindo, ele pegou o brinquedo e falou: 'Tio, eu vou pegar meu remédio'", relatou. A insulina estava guardada na geladeira, inacessível ao menino. "A mãe deixava esse menino trancado no quarto sem comida, sem água potável, sem poder ir no banheiro. E a insulina dentro da geladeira! Ele não tinha como nem se medicar", destacou.
Versão da mãe e situação legal
Segundo a Polícia Militar, a mãe afirmou que deixou o filho trancado para impedir que ele comesse em excesso, devido à diabetes. A criança disse que havia comido apenas bolachas dadas por uma vizinha e que urinava em garrafas. A Polícia Civil investiga o caso, e a defesa dos pais não foi localizada. Os nomes não foram divulgados para preservar a identidade da criança, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).



