O menino Oliver Golden Grayson, de 3 anos, morreu na madrugada desta quinta-feira (9) após ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, por não ter dito 'bom dia'. O crime ocorreu em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Dandre confessou à Polícia Civil que agrediu o filho com socos e bateu a cabeça da criança no chão. A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa preventivamente.
Família já era monitorada pelo Conselho Tutelar
A família de Dandre Jermaine Grayson já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão desde novembro de 2025. Um relatório da prefeitura, que integra uma sindicância instaurada pelo município, aponta que o poder público recebeu alertas sobre agressões contra as crianças meses antes do crime. Em 4 de dezembro de 2025, um posto de saúde notificou a rede de proteção sobre um ferimento facial significativo em uma das crianças e marcas nos braços de outra. Treze dias após o alerta médico, uma assistente social foi à residência da família, no distrito de Águas Claras, mas não encontrou os moradores. O caso foi debatido em três reuniões da rede de proteção municipal, sem registro de novas intervenções até o último domingo (5), quando o menino de três anos foi espancado.
Histórico de maus-tratos em outros estados
O histórico de suspeitas de maus-tratos se estende por outros dois estados. Em Águas de Lindóia (SP), foi instaurado um inquérito policial, arquivado após o Ministério Público solicitar novas diligências para produção de provas, o que não foi realizado. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que a família se mudou e o caso foi repassado para Palmitos (SC). O Ministério Público catarinense (MPSC) acompanhou o núcleo familiar a partir de fevereiro de 2025, com intervenção do Judiciário. A família morava em uma área rural de Viamão desde setembro do ano passado.
Prefeito admite falha do sistema
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti, admitiu a omissão do município. 'Falhamos. Falhamos como seres humanos, falhamos como rede de serviço, falhamos como prefeitura', afirmou. Segundo ele, uma reunião estava marcada para decidir sobre o acolhimento das crianças em um abrigo, mas não ocorreu a tempo. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) declarou que só tomou conhecimento da situação após a internação de Oliver. Os outros quatro filhos do casal foram levados para um abrigo institucional. Vizinhos relataram preocupação com a rotina da mãe, que caminhava longas distâncias por estradas de chão batido para levar os filhos à escola. Com o auxílio de um pastor evangélico, a família havia se mudado para uma casa mais próxima da rodovia quatro dias antes da prisão do suspeito.



