Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) não identificou lesões na menina de 4 anos que teria sido estuprada no clube social do Palmeiras, na Zona Oeste de São Paulo, no dia 10 de abril. A TV Globo teve acesso ao resultado do exame nesta terça-feira (23). O documento também não encontrou irritações ou alergias no corpo da criança. Apesar do resultado, a ausência de vestígios não descarta o abuso, segundo a polícia.
Investigação em andamento
De acordo com a polícia, outros elementos estão sendo analisados e mais testemunhas serão ouvidas. Uma câmera de segurança do clube flagrou a menina entrando no vestiário masculino. Pouco depois, a mãe da criança fez uma denúncia à Polícia Civil. Um sócio é investigado por estupro de vulnerável.
Segundo o boletim de ocorrência, funcionários da segurança informaram à família que as imagens do sistema de monitoramento mostram a menina acessando o local e permanecendo ali por aproximadamente 15 segundos. Em nota, o Palmeiras afirmou que iniciou uma apuração interna, analisou imagens do sistema de monitoramento e encaminhou todo o material à Polícia Civil. Além disso, disse que o suspeito foi suspenso do clube.
Relato da mãe
De acordo com o registro policial, a mãe contou que acompanhava os filhos no clube quando perdeu a menina de vista por alguns minutos. Pouco depois, a criança reapareceu vindo da direção dos banheiros e disse que havia estado no vestiário masculino. A mulher estranhou a situação porque, ao ser questionada sobre onde estava, a filha respondeu que aquilo era um "segredo".
Em seguida, a mãe levou a criança para um local reservado e insistiu nas perguntas sobre o que havia acontecido. Segundo o boletim, a mãe relatou que o homem apontado como suspeito, um sócio de 74 anos, é um frequentador antigo do clube, conhecido dela por acompanhar o neto em atividades esportivas. Ela afirmou à polícia que ele costumava se aproximar da criança e que, naquele dia, permaneceu perto da menina oferecendo pipoca.
Secreção íntima e relato da criança
Já em casa, durante o banho da filha, a mulher disse ter percebido a presença de secreção na região íntima da menina, algo que considerou incomum. Ela voltou a conversar com a criança, acionou familiares e procurou a polícia. Segundo o boletim, a criança relatou que o homem a levou ao banheiro e tocou em sua região íntima. De acordo com o documento, a menina afirmou que "o vovô colocou a mão lá".
A criança foi encaminhada para exame de corpo de delito e atendimento especializado. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a mãe prestou depoimento na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e que o caso foi encaminhado para a 9ª DDM, responsável pela área onde os fatos ocorreram. O suspeito não foi localizado pela polícia.
Defesa do suspeito
A defesa do homem de 74 anos apontado como suspeito afirmou que ele irá se manifestar "oportunamente nos autos" após ter "acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos". Em nota, os advogados informaram que o associado nega integralmente as acusações e destaca que já requereu acesso aos procedimentos instaurados para exercer plenamente seu direito de defesa.
A defesa esclarece, ainda, que os procedimentos em questão tramitam sob sigilo e ressalta que eventual divulgação indevida de informações pessoais ou de dados protegidos será objeto das medidas judiciais cabíveis. Os advogados reafirmam sua confiança nas instituições e no regular andamento das investigações, destacando que o associado permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
Posicionamento do Palmeiras
Em nota, o Palmeiras informou que foi procurado pela mãe da criança na noite de quarta-feira e que prestou atendimento imediato à família. Segundo o clube, a menina foi examinada por um médico do Palmeiras e um advogado da instituição acompanhou mãe e filha até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
O clube afirmou que iniciou uma apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento – inclusive, todo o material já foi separado e enviado à polícia. A presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis. O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos.



