Laranja de pastor preso na Máfia do Cigarro também é operador de bicheiro
Laranja de pastor preso na Máfia do Cigarro é operador de bicheiro

Um elo societário conecta o esquema do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da Máfia do Cigarro, e o pastor Márcio José Matos de Souza, o Márcio Poncio, preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal na quinta fase da Operação Unha e Carne. Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, apontado como laranja do pastor Poncio, também é acusado de ser operador de Adilsinho e integrar sua quadrilha, que explora o monopólio da venda de cigarros ilegais no Rio de Janeiro.

Operação Unha e Carne prende bicheiro e pastor

Os mandados de prisão contra o bicheiro e o pastor foram cumpridos nesta quinta-feira na mesma operação, que investiga repasses de dinheiro de Adilsinho a políticos fluminenses. Poncio é investigado pela PF por suspeita de integrar a Máfia do Cigarro. O pastor foi preso em um flat do Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Charles Vasconcellos: laranja de Poncio e operador de Adilsinho

Vasconcellos foi um dos presos na Operação Libertatis 2, em março de 2025, contra integrantes da quadrilha chefiada por Adilsinho. Segundo a PF, ele é sócio da empresa Comercial 8, apontada como responsável pela distribuição dos cigarros ilegais do grupo. A corporação afirma que Vasconcellos “compra e vende a mercadoria tabagista abaixo do mínimo legal e emite notas fiscais com o intuito de ludibriar a fiscalização tributária e a polícia”. Ele também é acusado de, por meio de sua empresa, receber depósitos em espécie, “provavelmente decorrentes da venda de cigarros clandestinos”.

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Antes de sua ligação com Adilsinho ser revelada, Vasconcellos já era conhecido da Justiça por sua relação com o pastor Márcio Poncio. Em um processo movido pela União contra empresas do grupo empresarial do pastor por dívidas fiscais, o empresário é apontado como “laranja” de Poncio. A atuação de Vasconcellos veio à tona em 2016, quando ele se tornou sócio de uma dessas empresas, a Planalto Indústria e Comércio de Cigarros. À época, ele teria pago R$ 275 mil pelas quotas da empresa, assim como sua mãe, Juracy Costa de Vasconcellos, que também ingressou na sociedade.

Fragilidade financeira como indício de laranja

No ano anterior, Vasconcellos declarou à Receita Federal não possuir bens, enquanto sua mãe era pensionista do INSS. Segundo a Justiça, “ambos não possuíam renda para adquirir as quotas, sendo uma evidência forte de que eram pessoas interpostas que auxiliaram o grupo empresarial no cometimento de fraudes”. Outro indício da relação de Vasconcellos com Poncio veio à tona em 2018, quando ele declarou à Receita ter herdado de sua mãe endereços vinculados à Igreja Pentecostal Anabatista de Duque de Caxias, onde Márcio Poncio era pastor.

Em maio de 2019, Charles Guilherme Costa de Vasconcellos transferiu suas quotas para a esposa de Márcio Poncio, Simone Poncio da Silva, e para Jonathan Couto de Souza, então genro do pastor, retirando-se da sociedade. Nas redes sociais, Charles aparece em diversos registros publicados pela família Poncio.

Esquema de preços predatórios e inadimplemento tributário

Para a Justiça, Poncio e seus sócios atuam “no comércio de cigarros praticando preços predatórios às custas do inadimplemento tributário e, visando manter tal sistema, criam diversas empresas com o mesmo objeto social para sucedê-las informalmente (e fraudulentamente)”.

O pastor Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. O GLOBO tentou localizar a defesa do pastor Márcio Poncio, mas ainda não obteve retorno.

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