Jovem morta em acidente de ônibus era guerreira e humilde, dizem parentes
Jovem morta em acidente de ônibus era guerreira

A morte da trabalhadora rural Maria Eduarda Corrêa Ferreira, de 19 anos, gerou comoção em Itobi (SP) e região. Parentes e amigos descreveram a jovem como guerreira, trabalhadora e humilde. Ela é uma das duas vítimas fatais do tombamento de um ônibus na Rodovia Deputado Januário Mantelli Neto (SP-215), no distrito de São Roque da Fartura, na divisa entre Águas da Prata (SP) e Poços de Caldas (MG).

Quem era Maria Eduarda

Moradora de Itobi, Maria Eduarda havia concluído o ensino médio recentemente e trabalhava para ajudar a família. Era a irmã mais velha de três irmãos. "É uma tristeza perder ela, porque tem uma semana que eu vi ela. Mas Deus vai dar força para a família", disse a prima Eliana Maria dos Santos. O enterro ocorreu sob forte comoção na terça-feira (22), e a mãe precisou de atendimento médico durante o cortejo.

O acidente

O ônibus transportava 45 trabalhadores rurais e tombou na descida da serra em São Roque da Fartura. Os passageiros haviam embarcado em Santa Cruz das Palmeiras, Itobi e Casa Branca, com destino a uma lavoura de cebola em Poços de Caldas. Além de Maria Eduarda, Josefa Alexandre da Silva, de 59 anos, também morreu no acidente, deixando dois filhos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O tombamento deixou ao menos 24 feridos. A maior parte foi encaminhada para a Santa Casa de Poços de Caldas, que recebeu 13 pacientes, dois deles internados na UTI. Os demais foram levados para prontos-socorros de Águas da Prata e São João da Boa Vista e receberam alta.

Irregularidades no transporte

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que o ônibus operava irregularmente, pois não possuía a Autorização para Transporte Rural (ATR), documento obrigatório. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) constatou que o veículo não tinha habilitação para transporte interestadual e que não há mercado autorizado para a rota. Se confirmada a prestação clandestina de serviço, os responsáveis podem ser multados em R$ 7,5 mil e o veículo retido.

Além disso, o ônibus, fabricado em 2001, tinha 25 anos de uso, contrariando portaria de 2017 que limita a idade máxima da frota para transporte rural.

Depoimento do motorista

O motorista Valdecir Lourenço de Souza declarou à polícia que o ônibus havia passado por revisão mecânica, mas perdeu os freios na descida. Para evitar uma ribanceira, ele jogou o veículo contra a defensa metálica, causando o tombamento. Ele permaneceu no local, prestou socorro e se submeteu ao teste do bafômetro, que deu negativo. O caso foi registrado como homicídio culposo e lesão corporal culposa. A Polícia Civil de Águas da Prata investiga e aguarda laudo pericial em até 10 dias. O Ministério do Trabalho também abrirá inquérito para apurar as condições trabalhistas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar