Um jovem ex-aluno da Escola Técnica Estadual (Etec) de Cubatão, no litoral de São Paulo, descobriu que estava sendo perseguido por um ex-professor ao simular uma transferência via Pix de R$ 0,01 para um número desconhecido. A estratégia revelou o nome e parte do CPF do docente, que agora é investigado pela Polícia Civil pelo crime de stalking.
Como o jovem descobriu a perseguição
O rapaz, que preferiu não se identificar, contou ao g1 que começou a receber mensagens estranhas de um número desconhecido em maio de 2024. O autor das mensagens o chamava de 'lindo' e 'gostoso', com teor sexual. Inicialmente, ele ignorou, mas após a terceira mensagem, decidiu investigar. Pesquisando na internet, encontrou a dica de simular um Pix: ao digitar o número no campo de chave Pix, o sistema exibe o nome e parte do CPF do destinatário. Foi assim que ele identificou o professor.
Após descobrir, bloqueou o contato imediatamente. Em outubro de 2025, porém, outro número desconhecido enviou mensagens semelhantes. O jovem repetiu o procedimento e confirmou que era o mesmo professor. Dessa vez, procurou a escola, que confirmou que o CPF correspondia ao cadastro do docente. A orientação foi registrar boletim de ocorrência e denunciar em site do governo estadual.
Novas investidas e registro do BO
Sem retorno da escola e sem conclusão da denúncia, no último domingo (7) o jovem recebeu novas mensagens, agora pelo Telegram, com o nome do professor e conteúdo ainda mais explícito: 'Gostoso. Bundudo gostoso. Bora real'. Diante da insistência, ele registrou o BO, destacando que as mensagens causam constrangimento, desconforto e insegurança, e que os bloqueios não impedem o contato.
O que diz a lei e a investigação
O advogado Fabio Hypolitto, ouvido pelo g1, explicou que o crime de stalking está previsto no artigo 147-A do Código Penal, caracterizado pela perseguição reiterada que ameaça a integridade física ou psicológica da vítima. Pode ocorrer tanto presencialmente quanto pela internet. A repetição é a principal característica, mas as formas variam: muitas mensagens, ligações seguidas, comentários negativos em redes sociais, criação de perfis falsos, seguimento de familiares, entre outros.
Hypolitto acrescentou que, além do stalking, o caso pode envolver outros crimes, como importunação sexual (artigo 215), assédio sexual devido à hierarquia (artigo 216-A) e injúria (artigo 140), já que o professor chamou o jovem de 'bundudo'. Também pode ser enquadrado como perturbação do sossego, uma contravenção penal.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pelo 3° Distrito Policial de Cubatão, que realiza diligências. Detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.
Posicionamento do Centro Paula Souza
Em nota, o Centro Paula Souza (CPS) informou que o professor será afastado cautelarmente até a conclusão da apuração preliminar. A direção da Etec prestou acolhimento ao ex-aluno e orientou o registro do BO. A denúncia foi encaminhada à Controladoria Geral do Estado. O CPS afirmou que possui comissão permanente de prevenção contra assédio e repudia toda forma de assédio dentro e fora de suas unidades.
O caso serve de alerta para a importância de denunciar perseguições e de usar ferramentas como o Pix para identificar contatos suspeitos, sempre dentro dos limites legais.



