O jornalista e radialista Chico Melo, de 54 anos, teve a casa invadida por quatro criminosos na madrugada desta quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Durante o assalto, ele foi agredido com socos e uma coronhada na cabeça, teve dinheiro e celulares roubados e precisou de atendimento médico. O caso é investigado pela Polícia Civil e passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), que abriu um procedimento para cobrar informações sobre as diligências realizadas.
Invasão e agressões
Segundo a Polícia Militar do Acre (PM-AC), os criminosos quebraram uma janela para entrar na residência, localizada no bairro Telégrafo, e foram diretamente ao quarto onde a vítima dormia. Eles permaneceram no imóvel por mais de meia hora, reviraram os dois andares da casa e obrigaram o jornalista a entregar dinheiro, celulares e desbloquear o aparelho telefônico. Durante a ação, Chico Melo foi agredido com socos e uma coronhada, que causou um corte na cabeça. Após a fuga dos suspeitos, a PM fez buscas na região, mas ninguém foi preso.
Objetos levados e apreendidos
Conforme o registro policial, os criminosos levaram cerca de R$ 3 mil, celulares e outros pertences. Durante a fuga, deixaram para trás um telefone celular e uma faca, que foram apreendidos pela Polícia Militar e encaminhados para perícia.
Ameaças anteriores
Após prestar depoimento na delegacia, Chico Melo afirmou que já vinha recebendo ameaças antes do crime e disse acreditar que os avisos se concretizaram. Segundo ele, durante o assalto um dos criminosos afirmou que ele sabia o motivo de estar sendo atacado. Até o momento, a Polícia Civil trata o caso como roubo e não confirmou relação entre o crime e a atividade profissional do jornalista.
Investigação e atuação do MP
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime e identificar os responsáveis. O delegado Jadson Santos afirmou: “Foram apreendidos alguns objetos encontrados no local pela polícia. Já instauramos inquérito para apurar.” O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também acompanhará as investigações juntamente com a Promotoria Criminal de Cruzeiro do Sul.
O Ministério Público do Acre instaurou uma notícia de fato criminal para acompanhar a investigação. Entre as primeiras medidas, a Promotoria requisitou à Polícia Civil: informações sobre o inquérito policial; cópia do boletim de ocorrência; eventual laudo do exame de corpo de delito; e detalhes das diligências já realizadas. O MP deu prazo de 30 dias para que a Polícia Civil informe o andamento da investigação, especialmente sobre a identificação dos suspeitos, existência de imagens de câmeras de segurança, dados de geolocalização dos celulares roubados e outros elementos que possam ajudar na elucidação do caso.
Reações de entidades e autoridades
O ataque ao radialista gerou revolta e manifestações de apoio. O Governo do Acre informou que a Polícia Civil instaurou inquérito e afirmou que atuará para identificar e prender os responsáveis. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificaram o episódio como grave, cobraram investigação rápida e defenderam que seja apurada eventual relação entre o crime e a atividade jornalística. A Fenaj informou que levará o caso ao Observatório da Violência contra Jornalistas, vinculado ao Ministério da Justiça.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Acre (OAB-AC), pediu investigação rigorosa e informou que vai acionar o Ministério Público e o Ministério da Justiça para acompanhar o caso. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul prestou solidariedade ao jornalista e afirmou que ataques contra profissionais da imprensa representam ameaça à liberdade de expressão. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) afirmou que qualquer tentativa de intimidar jornalistas representa afronta à democracia e defendeu a rápida apuração do caso.
Próximos passos
A Polícia Civil investiga o caso e a autoria e motivação do crime contra o jornalista. O Ministério Público acompanhará o andamento do inquérito e, após receber as informações solicitadas à polícia, avaliará se será necessário adotar novas medidas.



