Polícia apreende Jaguar com remédios contra câncer roubados
Jaguar com remédios contra câncer é apreendido em Santo André

A Polícia Civil apreendeu um Jaguar carregado com medicamentos contra o câncer roubados, na casa de Stefano Montovani Fernandes, em Santo André (SP). Os remédios foram subtraídos no dia 8 de julho, em Santo Antônio de Posse (SP). A apreensão ocorreu durante a Operação Metástase, deflagrada nesta terça-feira (21).

Esquema interestadual de roubo de medicamentos

Stefano é apontado como chefe de uma organização criminosa especializada em roubos de medicamentos oncológicos e imunossupressores. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), o grupo movimentou cerca de R$ 33 milhões em um ano, com apoio da facção Terceiro Comando Puro (TCP). Até o momento, cinco pessoas foram presas.

Os criminosos utilizavam empresas de fachada para recolocar os produtos roubados no mercado. As cargas eram levadas para o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde eram armazenadas, fracionadas e distribuídas para todo o país.

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Violência e impacto na saúde pública

O delegado André Prates destacou a violência dos roubos: “Roubam medicamentos que, muitas vezes, têm como destino o abastecimento da rede pública de saúde. E roubam de forma extremamente violenta, com fuzis e batedores”. Ele acrescentou que o crime afeta diretamente pacientes que dependem desses medicamentos para tratamento.

A polícia cumpriu 5 mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Foi solicitado o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens.

Investigação e núcleos criminosos

A DRFC-Cap identificou uma organização “altamente sofisticada e violenta”, com participação em pelo menos 40 crimes semelhantes nos últimos seis meses. As investigações apontaram 25 empresas de fachada nos estados do RJ, SP, GO e PA, usadas para receptar os medicamentos.

Os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, por meio de licitações. A polícia alertou para o risco à saúde pública: medicamentos oncológicos exigem controle rigoroso de temperatura; se armazenados inadequadamente, podem perder eficácia ou causar danos.

Impactos no Complexo da Maré

A operação causou impactos no Complexo da Maré, onde houve intenso tiroteio e barricadas em chamas. Duas unidades de atenção primária suspenderam o funcionamento, e outras duas mantiveram atendimento, mas suspenderam visitas domiciliares.

Os presos incluem Carlos Roberto Fernandes, Fernanda Rodrigues França, Guilherme Silva Lopes de Sena, Stefano Montovani Fernandes e Umberto Xavier de Lima. Todos negaram as acusações.

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