Intervenção na Transunião após operação contra PCC em SP
Intervenção na Transunião após operação contra PCC

A Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na empresa de ônibus Transunião, concessionária responsável por 51 linhas na Zona Leste, após a Operação Última Parada, deflagrada pelo Deic e Gaeco nesta quinta-feira (25). A gestão da empresa passa a ser da SPTrans, com o interventor Ângelo Fêde, funcionário de carreira há 49 anos. O objetivo é garantir a continuidade do transporte público e preservar empregos e contratos, segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Detalhes da operação

A operação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Entre os presos estão o vereador Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"), motorista e homem de confiança do vereador. Outros alvos incluem Lourival Monário ("Orelha"), atual presidente, e Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"), supervisor operacional. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas, 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações.

Impacto no transporte

Nunes afirmou que não haverá paralisação: "Não terá nenhuma situação de paralisação dos serviços. Os funcionários da concessionária e os contratos com fornecedores serão mantidos". A Transunião transporta cerca de 262 mil passageiros por dia, segundo a prefeitura, ou 389 mil, segundo o sindicato SPUrbanuss. A intervenção é a terceira contra empresas suspeitas de ligação com o PCC; em 2024, a UPBus e a Transwolff tiveram contratos rescindidos.

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Investigação e esquema

O inquérito começou com o assassinato do ex-presidente Adauto Soares Jorge, em 2020. Documentos do PCC indicam que Adauto e Senival foram condenados à morte por desvios de valores. Senival teria concordado com a execução e foi "perdoado" por sua influência política. Após o crime, o PCC nomeou Lourival e Jair para garantir o fluxo financeiro. O capital social da empresa saltou de R$ 100 mil para R$ 50 milhões sem comprovação de origem, permitindo vencer licitações. Em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes.

Conexões e ações anteriores

O esquema tem ligações com a máfia italiana 'Ndrangheta, investigada na Operação Mafiusi. Em 2024, a Operação Fim da Linha desarticulou grupos na UPBus e Transwolff, que transportavam 700 mil passageiros/dia e receberam R$ 800 milhões em 2023. Nunes declarou: "Assinei dois decretos em 2024 para romper contratos com empresa de ônibus que teria relação com o crime organizado. As medidas cabíveis em relação à Transunião serão tomadas assim que a administração for notificada".

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