A Polícia Internacional (Interpol) incluiu nesta segunda-feira (6) o nome de Hércules Costa Siqueira, conhecido como Golias, Chavinho e Peruca, em sua lista de difusão vermelha de fugitivos. O suspeito é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como o autor dos disparos contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, ocorrido no dia 27 de junho em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Com a inclusão, Hércules pode ser capturado em qualquer país, caso deixe o Brasil.
Detalhes da ficha da Interpol
Segundo a ficha da Interpol, à qual o g1 teve acesso, Hércules é descrito como “suspeito que teria disparado contra o Tenente Ronickson Pimentel dos Santos, integrante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Rota), atingindo a vítima na cabeça enquanto esta trafegava de motocicleta pela Avenida Goiás, em São Caetano do Sul”. O documento ainda afirma: “O indivíduo é procurado para responder pela prática de tentativa de homicídio qualificado. A pena máxima aplicável é de 30 anos de reclusão. Foi expedido um mandado de prisão temporária. O mandado permanece em aberto. Segundo as investigações, acredita-se que o suspeito tenha participado de uma ação criminosa coordenada contra um policial militar”.
“Elementos da investigação apontam movimentações com o objetivo de escapar das autoridades policiais. Informações de inteligência também indicam risco concreto de fuga para o exterior, inclusive por meio de rotas fronteiriças irregulares”, acrescenta o documento. Hércules Costa Siqueira, de 45 anos, possui antecedentes criminais por roubo e homicídio. A polícia oferece uma recompensa de R$ 50 mil para quem fornecer pistas sobre seu paradeiro.
Investigações e mortes de suspeitos
Três homens morreram em ações da Rota entre 29 de junho e 2 de julho, na capital paulista e no litoral, após denúncias que os relacionavam ao ataque contra o tenente Ronickson Pimentel. O tenente foi baleado na cabeça por dois homens em uma moto e permanece internado em estado grave na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
A primeira morte ocorreu na madrugada de 29 de junho, na Estrada do Aricanduva, Zona Leste de São Paulo. Segundo a PM, houve confronto durante a abordagem e o suspeito foi baleado e morreu no local. A Rota afirmou que não há elementos que relacionem o homem morto aos autores do atentado. Na manhã de 1º de julho, outra denúncia levou equipes da PM a Guaianases, também na Zona Leste. Houve confronto, o suspeito foi baleado e morreu no hospital. A SSP informou que “não atribui ao homem morto nesta quarta-feira (1º) a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o Tenente Pimentel”.
A terceira morte foi registrada em Peruíbe, litoral paulista, na noite de 2 de julho. Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, apontado como integrante de organização criminosa e suspeito de participação no atentado, morreu durante confronto com a Rota. Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Rota receberam as características do carro usado por ele e, durante as buscas, identificaram o veículo. Houve fuga e confronto na Rua Cuiabá. O suspeito foi desarmado e levado à UPA, mas morreu após dar entrada. Foram encontrados quatro estojos de munição vazios ao lado do carro.
Estado de saúde do tenente
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos permanece internado em estado grave na UTI do Hospital Estadual Mário Covas. Segundo boletim divulgado no domingo (5) pelo 1º Batalhão de Polícia de Choque, “o oficial passou pela troca programada do dispositivo de drenagem, procedimento realizado conforme planejamento prévio da equipe. A tomografia de crânio feita na sequência confirmou o dreno bem posicionado e funcionante, sem evidência de novos sangramentos. A pressão intracraniana encontra-se em níveis baixos, com o dispositivo apresentando baixo débito”.
No sábado (4), o oficial apresentou uma intercorrência neurológica com alteração pupilar transitória. “A equipe realizou de imediato tomografia de crânio, que não evidenciou novos eventos, e o quadro reverteu de forma espontânea em cerca de uma hora”. Pimentel seguirá com cuidados intensivos até segunda-feira (6), quando a equipe médica deve iniciar “o desmame gradativo da sedação ao longo dos próximos dias, precedida da traqueostomia para proteção da via aérea”.
Recompensa e prisão temporária
A Secretaria da Segurança Pública oferece R$ 50 mil por informações que levem à localização e prisão de Hércules da Costa Siqueira. Denúncias podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181, que funciona 24 horas, ou pelo site www.ssp.sp.gov.br/denuncia, com sigilo absoluto. A SSP informou que “a medida integra os esforços das forças de segurança para identificar, localizar e prender todos os envolvidos no atentado”.
Na sexta-feira (3), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do suspeito por 30 dias, autorizando buscas em endereços ligados ao investigado e a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos. Segundo a investigação, Hércules é o homem que estava na garupa da motocicleta que acompanhava o policial no momento do atentado. Ele já havia sido identificado pela Polícia Civil após a apreensão do carro usado na fuga. A decisão judicial aponta que o atentado foi executado por uma organização criminosa com funções previamente divididas e que a vítima teria sido monitorada antes do crime.



