Caso Oliver: Interpol é acionada para investigar pai americano que matou filho de 3 anos no RS
Interpol acionada para investigar pai americano que matou filho no RS

Autoridades do Rio Grande do Sul acionaram a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações sobre o norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, que confessou ter espancado o filho de apenas três anos, Oliver Golden Grayson, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. O pedido foi feito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, com o objetivo de apurar se o missionário religioso já foi investigado por crimes anteriores nos Estados Unidos. A Polícia Federal deverá formalizar o acionamento da autoridade internacional. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão; o espaço segue aberto para manifestação.

Confissão e detalhes das agressões

Dandre foi preso em flagrante no dia 5 de junho, logo após o crime. Em depoimento à Polícia Civil, ele assumiu a autoria das agressões e alegou que teria batido no menino após ele se recusar a lhe dar “bom dia”. Segundo o depoimento, Dandre desferiu socos no peito e no abdômen de Oliver, além de bater com a cabeça da criança contra o chão. Oliver foi socorrido e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira, 8 de junho.

Mãe presa preventivamente

A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente na quinta-feira, 9 de junho. Em depoimento, Dandre afirmou que, no momento das agressões, Mayanna estava em outro cômodo e não presenciou o crime. No entanto, a Polícia Civil investiga eventual participação direta dela nas agressões. Os investigadores buscam esclarecer, por meio de perícia, se a mãe também praticou agressões contra o menino. A defesa de Mayanna, representada pelos advogados Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg, afirmou em nota que colabora com as autoridades e permanece à disposição da Justiça. A nota destaca: “Ela é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado”.

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Outras crianças acolhidas

Dandre é missionário religioso e reside no Brasil há nove anos. Ele e Mayanna são pais de outras quatro crianças, que foram levadas para uma instituição de acolhimento. O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), afirmou que a gestão municipal já acompanhava a família desde 27 de novembro de 2025, após uma enfermeira de uma unidade de saúde identificar hematomas em Oliver. Segundo ele, desde então, equipes realizaram reuniões presenciais com os pais e foram até a casa da família. Uma nova visita à residência, que ocorreria sem a presença de Dandre, estava marcada para quinta-feira, quando seria tomada a decisão final sobre o acolhimento das crianças.

Falha do sistema de proteção

O prefeito Bortoletti fez uma avaliação crítica sobre a atuação do poder público: “Para mim, nossa maior falha foi não entender a gravidade e a velocidade que precisava uma resposta do Estado. A gente colocou em risco. Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede”. A declaração evidencia a gravidade do caso e a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de proteção infantil.

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