Polícia Civil conclui inquérito e pede prisão de delegado e agentes na PB
Inquérito concluído: prisão de delegado e agentes na PB

A Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito que investiga o delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge, presos desde a Operação Perfídus, deflagrada no início de junho. No relatório final, a corporação pede a prisão preventiva dos três, atualmente em prisão temporária. O documento, acessado pelo g1 nesta quinta-feira (16), aponta indícios de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

Desvio de 57 kg de drogas avaliados em R$ 2,1 milhões

Segundo a investigação, durante uma ação em um apartamento em setembro de 2025, os policiais teriam retirado parte das drogas encontradas. O relatório indica que havia cerca de 60 kg de entorpecentes no imóvel, mas apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia. A diferença de 57 kg corresponde a um valor de mercado estimado em R$ 2,1 milhões. Por esse motivo, os três foram indiciados por furto qualificado.

Falsificação de boletim de ocorrência e abuso de autoridade

O crime de falsificação de documento público está relacionado ao boletim de ocorrência registrado três dias após a ação. Conforme o inquérito, o documento apresentou informações incompatíveis com o que foi encontrado, principalmente sobre a quantidade de drogas apreendida. Já o indiciamento por abuso de autoridade baseia-se na conclusão de que os policiais entraram no imóvel sem autorização do morador, sem decisão judicial e sem situação de flagrante que justificasse a entrada. Para a Polícia Civil, os investigados utilizaram a função pública para dar aparência de legalidade à ação.

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Fraude processual e pedido de prisão preventiva

O crime de fraude processual foi atribuído porque apenas parte das drogas foi encaminhada para a perícia, alterando o conjunto de provas que seria analisado. Ao pedir a prisão preventiva, a Polícia Civil afirmou que "qualquer outra medida cautelar é insuficiente" e que a adoção de outra medida "poderá levar a cabo todo o trabalho policial e ocasionará numa possível fuga e apagamento de provas".

Investigação separada para tráfico de drogas

A Polícia Civil informou que as suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito, separação adotada para evitar tumulto processual. O delegado Braz Morroni e os demais investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. A defesa de Everton Aires informou que não tem conhecimento sobre a conclusão do inquérito. O g1 procurou as defesas de Braz Morroni e Eduardo Jorge, mas não houve resposta até a publicação.

Operação Perfídus: organização criminosa e bloqueio de R$ 10 milhões

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados. Everton Aires, conhecido como "Bomba", é apontado como operador central, fazendo a ponte entre policiais e traficantes. Eduardo Jorge, o "Mão Branca", é investigador e suspeito de subtrair drogas, monitorar carregamentos e esconder entorpecentes em casa.

Outros presos e o papel do delegado

Além dos três, foram presos: João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha"), José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira"), Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau"). O delegado Braz Morroni, com mais de 20 anos de carreira, atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT) e já passou pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes. O nome da operação, Perfídus, significa "traição" ou "deslealdade", em referência à conduta atribuída aos investigados.

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