Influencer 'Rapunzel Cuiabana' é presa por golpe de R$ 30 mil em MT
Influencer presa por golpe de R$ 30 mil em MT

A influenciadora digital Kamila Gonçalves Vieira, conhecida como “Rapunzel Cuiabana”, foi presa nesta segunda-feira (3) em Primavera do Leste (MT), durante a Operação Fallacia, sob suspeita de estelionato. Segundo as investigações, ela teria se passado por advogada para enganar um homem, fazendo-o transferir cerca de R$ 30 mil em pensão alimentícia para a conta dela e entregar uma caminhonete durante um falso processo de divórcio.

Como funcionava o golpe

De acordo com o delegado Honório Delta, responsável pela investigação, Kamila é investigada por diversos casos de estelionato em Primavera do Leste e em Cuiabá, e costumava usar a falsa identidade de advogada para conquistar a confiança das vítimas. “Ela é multirreincidente em estelionato. Aqui em Primavera, desde 2022, temos inúmeros boletins de ocorrência em que ela aparece como suspeita. Ela tem o costume de se passar por advogada”, afirmou.

A suspeita teria abordado a vítima oferecendo ajuda para conduzir o processo de divórcio, se passando como advogada. Ao “assumir o divórcio”, ela teria afirmado que a ex-companheira do homem havia conseguido uma medida protetiva e que qualquer contato entre os dois poderia resultar na decretação da prisão preventiva dele. Com esse argumento, orientou que a pensão alimentícia fosse depositada diretamente na conta dela, prometendo repassar o valor à ex-esposa, o que, segundo a polícia, nunca aconteceu.

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Investigação e descoberta

As suspeitas começaram quando o homem contratou outro advogado. Ao entrar em contato com a ex-companheira, ele descobriu que ela não havia recebido nenhum valor. Também foi constatado que Kamila não possuía registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o delegado, ao longo de mais de cinco meses, a vítima teria transferido aproximadamente R$ 30 mil acreditando que estava cumprindo a obrigação judicial.

Mesmo após a vítima interromper os depósitos, a investigada continuou tentando manter o golpe. Ela chegou a enviar mensagens afirmando que um oficial de Justiça teria expedido um mandado de prisão contra o homem caso ele deixasse de pagar a pensão. A polícia apurou ainda que a suspeita produziu documentos falsos para dar aparência de legalidade às ameaças e convencer a vítima a continuar fazendo os pagamentos.

Caminhonete e prisão

Além do dinheiro, Kamila também teria convencido o homem a entregar uma caminhonete. Ela alegou que o veículo poderia ser incluído na divisão de bens do divórcio e sugeriu a assinatura de um contrato de locação em nome dela para evitar a perda do automóvel. Segundo o delegado, o prazo combinado terminou, mas a caminhonete não foi devolvida. O veículo foi localizado e apreendido durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na segunda-feira.

O histórico de golpes atribuídos à investigada motivou o pedido de prisão preventiva. “Tudo o que ela faz é dar golpes. Se permanecer solta, vai continuar praticando esse tipo de crime”, disse o delegado. A suspeita, que reúne mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, foi localizada em um estabelecimento comercial no bairro Buritis II por equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste. Durante as buscas na casa dela, os policiais apreenderam um celular, cartões bancários, documentos em nome de terceiros e a caminhonete investigada.

Antecedentes

Kamila Gonçalves Vieira já havia sido presa em 2021 sob suspeita de alugar casas mobiliadas e furtar móveis, objetos pessoais e bens de valor dos imóveis. Segundo a polícia, ela teria levado itens como camas, eletrodomésticos, roupas de cama, objetos de decoração, joias, relógios e pedras preciosas de algumas vítimas. As investigações apontaram que algumas vítimas criaram um grupo de WhatsApp para trocar informações e reconhecer objetos encontrados com a suspeita. Elas também relataram que teriam recebido ameaças ao tentar recuperar seus pertences.

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