O Brasil registrou queda no número de homicídios em 2024, mas os índices de feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial continuaram em alta, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento também aponta o estelionato como o principal crime contra o patrimônio, com crescimento expressivo.
Queda de homicídios e aumento de feminicídios
De acordo com o anuário, o Brasil teve uma redução de 4% nos homicídios dolosos em 2024 em comparação com o ano anterior. No entanto, os feminicídios cresceram 3%, e as mortes causadas por policiais em serviço aumentaram 5%. Os dados refletem uma tendência de melhora na violência letal geral, mas com persistentes desafios em relação à violência de gênero e ao uso da força pelo Estado.
“A redução de homicídios é uma boa notícia, mas não podemos ignorar que mulheres continuam sendo mortas em casa e que a letalidade policial segue em patamares elevados”, afirmou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP.
Estelionato supera roubos como principal crime patrimonial
O anuário revela que o estelionato se tornou o crime mais comum contra o patrimônio, superando os roubos. As ocorrências de estelionato cresceram 12% em 2024, impulsionadas por fraudes digitais e golpes online. Já os roubos tiveram queda de 6%, indicando uma mudança no perfil da criminalidade patrimonial.
“O estelionato hoje é o crime que mais afeta o bolso do cidadão. As pessoas precisam redobrar a atenção com golpes virtuais, que estão cada vez mais sofisticados”, destacou Lima.
Outros indicadores de segurança
O estudo também mostra que os latrocínios (roubos seguidos de morte) caíram 8%, e os crimes de lesão corporal dolosa tiveram redução de 2%. No entanto, os registros de ameaça e de violência doméstica aumentaram, respectivamente, 4% e 5%. O anuário reforça a necessidade de políticas públicas focadas na prevenção da violência contra a mulher e no controle da atividade policial.



