A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro, que já durava três dias, foi suspensa na noite desta quarta-feira (1º) após assembleia da categoria. A decisão ocorreu horas depois de o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinar que 80% da frota de ônibus circule durante a paralisação, elevando o percentual anterior de 50% fixado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O município possui cerca de 3.600 coletivos, e 80% equivale a 2.880 veículos. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) informou que os sistemas de ônibus comuns e BRT devem operar com frota integral a partir da 0h desta quinta-feira (2).
Suspensão da greve e negociações
A direção do sindicato dos rodoviários defendeu a suspensão como a melhor alternativa, pesando a decisão do TST e a audiência de conciliação realizada nesta quarta. Durante a reunião, o TRT e o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediram que o sindicato suspendesse a greve até a próxima rodada de negociações, marcada para segunda-feira (6). Em contrapartida, as empresas se comprometeram a não descontar os dias parados nem o vale-refeição dos trabalhadores, além de discutir um reajuste salarial superior aos 4% oferecidos até agora.
No início da assembleia, houve resistência de parte da categoria, mas após mais de uma hora de debates, o presidente do sindicato colocou a proposta em votação e a maioria aprovou o fim da greve. Com isso, os rodoviários retomam o trabalho normalmente nesta quinta-feira. Apesar da suspensão, o sindicato informou que a categoria permanece em "estado de greve", o que permite uma nova interrupção das atividades caso não haja avanço nas negociações.
Reivindicações dos rodoviários
Os rodoviários exigem reajuste de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais motoristas, vale alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde, mudanças na escala de trabalho e jornada de 7 horas e meia. Os patrões ofereceram 4,39% de reajuste e afirmaram que não haveria contraproposta, mas concordaram em chegar a um valor maior para suspender a greve.
Decisão da Justiça
Na noite de terça-feira (30), o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, acolheu pedido da Prefeitura do Rio e impôs o percentual de 80%. Na decisão, Mello Filho disse que o transporte coletivo é serviço essencial e que a manutenção de apenas 50% da frota "representava risco à ordem e à segurança pública, além de comprometer o direito de ir e vir da população". Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100 mil para o sindicato dos trabalhadores.
O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) disse ao Bom Dia Rio esperar "que a Justiça faça valer as suas decisões". "Desde segunda-feira há uma determinação para que tivesse, pelo menos, 50% da frota. Isso não foi cumprido na segunda e não foi cumprido ontem [terça]", afirmou. "À noite, o Tribunal Superior do Trabalho dá uma outra determinação, dizendo que a frota mínima tem que ser de 80%. E mais uma vez não está acontecendo hoje [quarta]."
Posição do Rio Ônibus
Em nota, o sindicato das viações informou que "as empresas estão mobilizadas para colocar a frota em operação e garantir o direito de ir e vir dos cariocas" e culpou a categoria pela falta de coletivos. "O cumprimento da determinação da Justiça do Trabalho de colocar um percentual mínimo em operação tem sido dificultado pelo Sindicato dos Rodoviários, que não encaminhou para os motoristas as escalas com a indicação de quais profissionais deveriam trabalhar para atender a frota mínima exigida", declarou. "Os consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam imediatamente às suas garagens e iniciem o trabalho."
Resposta do sindicato dos rodoviários
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que "ficou surpreso" com o pedido de liminar da prefeitura no TST. "Tomamos conhecimento no fim da noite de ontem [terça] da posição do presidente do TST cassando a liminar de regularidade da greve da categoria aqui no Rio de Janeiro", disse. "Essa decisão é um prêmio para a direção do Rio Ônibus, que, mesmo sentada na mesa de negociação, vem se negando a apresentar uma proposta em relação às reivindicações do sindicato para atender os trabalhadores. Não nos resta alternativa a não ser cumprir a liminar, até porque lei é para ser cumprida e não discutida."
Impacto da greve
Nos primeiros dias, a frota circulante ficou aquém do mínimo exigido. Na segunda-feira (29), menos de 1.000 ônibus deixaram as garagens. As viações relataram 50 veículos vandalizados em piquetes. Na terça-feira, a frota aumentou, mas ainda abaixo dos 50%. Manifestantes depredaram ao menos 15 ônibus. No Terminal Gentileza, o intervalo entre os ônibus chegou a uma hora e meia, contra os 15 minutos habituais. Passageiros invadiram a calha do BRT no Terminal Alvorada após longa espera.



