Greve da CPTM: efetivo abaixo do exigido pela Justiça; multa pode chegar a R$ 400 mil
Greve da CPTM: efetivo abaixo do exigido; multa de R$ 400 mil

Em meio à greve dos ferroviários, a CPTM informou nesta terça-feira (4) que o contingente de trabalhadores nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade está abaixo dos percentuais mínimos estabelecidos pela Justiça. O presidente da companhia, Michael Cerqueira, afirmou que um oficial de justiça acompanha a operação desde as 4h da manhã para verificar o cumprimento da determinação. “Eu adianto que não está sendo atingido”, declarou.

Decisão judicial e multa diária

Na segunda-feira (3), após o anúncio da greve, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que a operação nas três linhas mantivesse, no mínimo, 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.

De acordo com a CPTM, no horário de pico da manhã, o efetivo de ferroviários nos três ramais foi de apenas 67%. Dos 126 maquinistas escalados para o período da manhã, somente três compareceram ao trabalho.

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Operação parcial e impacto na frota

A companhia informou que 21 supervisores foram escalados para a condução das composições, sendo 18 na Linha 11 e seis na Linha 12. Com a operação parcial, 15 trens atenderam à demanda na Linha 11 e quatro na Linha 12. Em condições normais, os passageiros da Linha 11 teriam 31 trens à disposição, enquanto a Linha 12 contaria com 24 composições. Na Linha 13, o período de pico deveria ter cinco trens, mas a linha está totalmente paralisada.

Reivindicações dos grevistas

Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, e a garantia de que não serão demitidos após a transferência para a concessionária TriviaTrens. Segundo os grevistas, 2.300 pessoas correm risco de perder o emprego caso não sejam reabsorvidas quando a operação passar para a TriviaTrens.

Os trabalhadores apoiam o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza a absorção dos funcionários da CPTM por órgãos públicos estaduais após a privatização do serviço.

Contexto da operação

Desde o dia 24 de julho, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), por um período de 90 dias. A decisão foi tomada após falhas operacionais na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Um dos incidentes foi um foco de incêndio em uma composição na Estação Bresser-Mooca, em 23 de julho.

Posição do governo e da CPTM

Em nota, a CPTM e o governo paulista afirmaram que, durante as negociações, assumiram o compromisso de preservar os postos de trabalho e analisar propostas de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Iamspe.

A gestão estadual lamentou a paralisação, alegando que ela “não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável que a categoria use a população como instrumento de pressão política.”

Medidas de contingência

A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando os trechos de maior demanda. A Linha 11-Coral opera parcialmente entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Na Linha 12-Safira, os trens circulam entre Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto estão parados. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda (concedidas) e 10-Turquesa operam normalmente.

Reforço no Metrô

O Metrô antecipou a abertura das estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. A Linha 3-Vermelha, que faz integração com as linhas afetadas, recebeu composições adicionais e manobras intermediárias em estações estratégicas. Trens vazios serão enviados às estações com maior lotação para agilizar embarques. O efetivo foi reforçado nas estações Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda.

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As linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda também tiveram reforço nas equipes operacionais e de segurança. A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, opera com frota máxima nos horários de pico e monitora a demanda para possíveis ampliações.

Impacto no comércio

A Associação de Lojistas do Brás (Alobrás) emitiu nota sobre os impactos da greve. O vice-presidente da entidade, Lauro Pimenta, destacou que 70% da mão de obra do comércio da região vem da zona Leste de São Paulo ou da Região Metropolitana. “A recorrência desses episódios, sejam de falhas operacionais ou greve, estão afetando diretamente o comércio da região do Brás”, afirmou.

Pimenta acrescentou que a paralisação prejudica o faturamento, especialmente na semana de vendas para o Dia dos Pais. “É uma época em que recebemos excursões do Brasil inteiro. E, mais uma vez, não temos quadro de funcionários suficientes para atender a operação, afetando o atendimento e imagem de nosso comércio popular.”