A Grande Ilha de São Luís registrou 363 assaltos a ônibus nos primeiros seis meses de 2025, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). O número representa uma queda de 26,2% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram registrados 492 casos. Apesar da redução, motoristas e passageiros relatam medo constante.
Motoristas relatam rotina de insegurança
Carlos Mendonça, motorista de ônibus há 26 anos na Grande Ilha, afirma que o medo faz parte da rotina. "A gente se sente inseguro. Porque a falta de segurança tá muito e é preocupante, né? Para nós trabalhadores que sai de casa e não sabe se volta vivo ou não", relata.
Carlos Alfredo da Silva, motorista há 18 anos, já foi vítima de assalto seis vezes durante o trabalho. Ele lembra que as situações foram marcadas por desespero e deixaram traumas. "A gente anda nessas vias, a gente para nas paradas e quando de repente, o individuo entra, anuncia o assalto e é assim qualquer dia", diz.
Passageiros também sofrem com a violência
Os passageiros estão entre as principais vítimas. Muitos perderam celulares, dinheiro e outros pertences. "A gente entra no ônibus já amedrontada, porque sabe que, a qualquer hora, pode acontecer um assalto", afirma Gisleia Silva, cabeleireira. Marina Coqueiro, estudante, relembra uma tentativa de assalto: "Eu não me sinto segura dentro dos ônibus. Eu sempre fico com medo. Teve uma vez que o ônibus em que eu estava sofreu uma tentativa de assalto, quando eu voltava da escola".
Casos recentes repercutem nas redes sociais
Nos últimos 15 dias, uma sequência de assaltos a ônibus na Região Metropolitana de São Luís ganhou repercussão nas redes sociais. Em um dos casos, durante um assalto a um coletivo da linha Socorrão II/Rodoviária, o motorista perdeu o controle da direção e o ônibus bateu em um poste. Imagens gravadas por passageiros mostram os três suspeitos fugindo pela janela do veículo.
Subnotificação dificulta combate ao crime
Especialistas apontam que a subnotificação é um dos principais desafios. Muitas vítimas deixam de registrar boletim de ocorrência por medo, falta de tempo ou por acreditarem que a denúncia não resultará em prisões. "A consequência disso é que os dados não refletem a realidade dos crimes que ocorrem, comprometendo todo um aparato de políticas públicas de segurança pública que podem ser realizadas", explica Maurício Fraga, criminólogo.
SSP-MA destaca redução histórica
A SSP-MA informou, por meio de nota, que 2025 possui o menor número de registros de toda a série histórica iniciada em 2021. A secretaria atribui a redução às ações permanentes das forças de segurança.



