Governadora do DF rompe contrato após morte de bebê em transferência
Governadora do DF rompe contrato após morte de bebê

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou neste sábado (18) o rompimento do contrato com a empresa responsável pela transferência de Maria Vitória de Sousa, de 5 meses, que morreu após ter o tubo de respiração retirado acidentalmente no dia 6 de julho. A declaração foi feita durante o lançamento de sua pré-candidatura.

Decisão após pressão e investigação

Na quinta-feira (16), o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, havia informado que a rescisão do contrato ainda seria estudada. Contudo, neste sábado, a governadora confirmou a decisão. "Não continuará. Eu determinei ao secretário, porque isso é muito grave. A gente precisa separar os procedimentos: o que é imprudência, imperícia e aquilo que é negligência. No caso dessa criança, houve um erro. Então, a gente não quer trabalhar realmente com essas empresas", afirmou Celina.

Celina explicou que a secretaria está "fazendo todos os trâmites" para encerrar o contrato e contratar outra empresa. "A gente tem que abrir uma licitação nesse meio tempo, de emergência, e explicar para os órgãos de controle. Então, há um processo administrativo a se cumprir", disse.

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Detalhes do caso

A TV Globo teve acesso ao prontuário médico da criança, que confirma que a morte ocorreu após a bebê ser "acidentalmente extubada". A família registrou denúncia na Polícia Civil, que investiga o caso. Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que, durante a transferência para o Hospital da Criança, houve uma intercorrência e que as circunstâncias estão sendo apuradas.

Segundo a tia da vítima, Clau Alves, a bebê deu entrada no Hospital de Planaltina em estado grave, com suspeita de bronquiolite, na tarde de 6 de julho. Ela teve uma parada cardiorrespiratória, foi reanimada e intubada, necessitando de UTI, mas o hospital não dispunha do leito. A família conseguiu vaga no Hospital da Criança e, ao sair do Hospital de Planaltina, a bebê estava estável. "Nesse transporte, ao fazer a retirada, a mãe foi fazer a ficha e quando voltou o médico disse para voltar para o Hospital de Planaltina porque a bebezinha já tinha morrido", relatou Clau.

Outros casos de negligência

O caso de Maria Vitória é uma das cinco denúncias de negligência relacionadas a mortes em hospitais públicos do DF na última semana. Os outros casos incluem: Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia (13); Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada do Hospital de Base (12); Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o parto no Hospital de Samambaia (10); e Luciana Ferreira, de 34 anos, perdeu a filha no parto após idas e vindas ao hospital e registrou boletim de ocorrência por violência obstétrica.

Nota da Secretaria de Saúde

A Secretaria de Saúde informou: "Sobre o caso da paciente M.V.S.M., em respeito ao sigilo médico e à privacidade da paciente e de seus familiares, a Secretaria de Saúde não divulgará informações. Esclarece apenas que a criança recebeu assistência durante os dois meses em que permaneceu internada no Hospital Regional de Planaltina (HRPL), sendo submetida aos cuidados e ao acompanhamento da equipe. Diante da necessidade de atendimento em unidade de maior complexidade, foi solicitada a regulação e realizada a transferência conforme os fluxos assistenciais estabelecidos. Durante a transferência para o Hospital da Criança, houve uma intercorrência. As circunstâncias relacionadas ao desfecho do caso estão sendo apuradas."

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