O estelionato supera em 26 vezes os registros de roubo de rua no estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em 2025, foram contabilizados mais de 1,2 milhão de casos de fraude, contra cerca de 46 mil roubos a pedestres, o que representa uma diferença alarmante de 26 vezes.
Crescimento de 47% em cinco anos
Os dados, divulgados nesta quarta-feira (5), mostram que os golpes aumentaram 47% nos últimos cinco anos, enquanto os roubos de rua caíram 38% no mesmo período. O levantamento da Firjan, baseado em dados oficiais de segurança pública e do Banco Central, aponta que o prejuízo estimado com os golpes chega a R$ 6 bilhões por ano, afetando diretamente a economia fluminense.
Segundo o economista da Firjan, André Ferreira, a migração da criminalidade para o ambiente digital é a principal explicação para o fenômeno. "Os criminosos estão cada vez mais sofisticados, usando técnicas de engenharia social e tecnologia para aplicar golpes em massa, sem necessidade de confronto físico", afirmou.
Principais tipos de golpe
O levantamento detalha que as fraudes mais comuns são: golpes via Pix (29%), compras online falsas (23%), clonagem de cartão (18%), e golpes de investimento (12%). Os demais casos incluem falsos empréstimos, phishing e outros tipos de fraude.
O impacto não é apenas financeiro: 87% das vítimas relatam danos emocionais e psicológicos, e 34% afirmam ter tido problemas de saúde após o golpe. Além disso, o estelionato sobrecarrega o sistema judiciário, com um aumento de 52% nas ações criminais relacionadas ao crime nos tribunais do estado.
Desafio para as autoridades
A Firjan defende a criação de uma delegacia especializada em crimes cibernéticos em todas as regiões do estado, além de campanhas de conscientização e parcerias com instituições financeiras para bloquear transações suspeitas. "Precisamos de uma atuação integrada entre polícia, bancos e plataformas digitais para combater essa epidemia", concluiu Ferreira.



