O efetivo das Guardas Civis Municipais (GCMs) no Brasil cresceu 13% entre 2023 e 2025, alcançando a marca de 107 mil agentes. Com isso, as guardas municipais tornaram-se a segunda maior força de segurança pública do país, superando a Polícia Civil e ficando atrás apenas da Polícia Militar, que conta com 413 mil integrantes. Os dados fazem parte do Raio-X das Forças de Segurança, estudo divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Crescimento expressivo e distribuição geográfica
De acordo com o levantamento, que utiliza informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e do Trabalho e Emprego, as GCMs estão presentes em quase 1,4 mil municípios brasileiros. Em 2019, dados do IBGE indicavam que 1.188 municípios possuíam guardas municipais; agora, o número saltou para 1.384 em 2025.
Numericamente, São Paulo lidera com o maior efetivo, totalizando 30 mil guardas distribuídos por 222 municípios. No entanto, o estado fica em segundo lugar em quantidade de cidades com GCMs, atrás da Bahia, que possui 234 municípios com guardas e mais de 10 mil agentes. O Acre é o único estado sem nenhuma cidade com guarda municipal, enquanto o Distrito Federal possui Polícia Militar própria e não necessita de GCMs. Rondônia (2 municípios), Roraima e Amapá (6 cada) são os estados com menor presença de guardas, com efetivos de 67, 615 e 1.234 agentes, respectivamente.
Polícia Civil e outras forças em números
O estudo também revela que a Polícia Civil ocupa a terceira colocação entre as forças de segurança, com quase 97 mil agentes, seguida pela polícia penal (92 mil), bombeiros (63 mil) e perícia técnica (19 mil). No total, o Brasil soma 818 mil agentes de segurança em todas as corporações. As Guardas Civis Municipais puxaram um aumento de 3% na quantidade total de agentes de segurança no país, com alta de 13% entre os guardas, enquanto as Polícias Militares cresceram 2% e as polícias civis, 1%. Por outro lado, a Polícia Federal (-3%) e a Polícia Rodoviária Federal (-4%) registraram queda em seus efetivos no período.
Especialista aponta 'descontrole' no crescimento das GCMs
O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, avalia que há um "descontrole" no crescimento das guardas municipais. Segundo ele, a lei específica que trata da corporação apresenta lacunas e não tem sido respeitada por parte das cidades. "O Estatuto das guardas prevê um limite máximo de efetivo e a gente percebeu que 44 municípios têm mais efetivos do que a previsão legal e ninguém, ninguém sabe e ninguém monitora. Muitas vezes, [as guardas] recebem recursos do Ministério da Justiça e essa informação não é levada em consideração", afirma Lima.
O especialista também destaca que houve tentativas de rebatizar as guardas como polícias municipais, prática considerada irregular pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a manutenção do termo não impediu mudanças na atuação das guardas. "Tem um deslocamento do papel das guardas, um crescimento do protagonismo, só que ninguém controla. Podemos discordar, concordar, reclamar do padrão de policiamento militarizado, mas a Polícia Militar é controlada pelo Exército, pelo Ministério Público, pelo Poder Executivo. Se tem várias formas de controle. Com as guardas municipais, não está muito claro isso", afirma.
Lima ressalta que esse é um desafio ainda maior com a possibilidade de a PEC da Segurança Pública ser votada ainda neste semestre, atribuindo mais papel às guardas. "É ruim quando você não sabe direito quantas guardas são e quantas estão armadas ou não", completa.
Outros destaques do Raio-X das Forças de Segurança
- As GCMs puxam alta de 3% na quantidade de agentes de segurança no país, com alta de 13% entre os guardas. PMs sobem 2% e as polícias civis, 1%.
- Polícia Federal (-3%) e Polícia Rodoviária Federal (-4%) registram queda no efetivo de 2023 para 2025.
- Ao todo, o Brasil tem 818 mil profissionais das forças de segurança.
- Quase 1,4 mil municípios brasileiros possuem Guarda Civil Municipal. Tropa supera os 100 mil agentes e já é a 2ª maior em números no país — perde apenas para as Polícias Militares.
- 44 municípios possuem efetivos de guardas maiores do que é permitido pela lei.
- Tropa de policiais militares tem déficit de 35% em relação ao definido pelos próprios estados.
- País tem um PM para cada 21 km², em média. No Amazonas, número sobe para um profissional a cada 180 km².
- Mulheres ocupam apenas 7% dos postos de comando das PMs.
- Efetivo das polícias civis tem defasagem de 45% em relação ao necessário para atuação.
- País tem menos de um bombeiro em média para cada mil habitantes: número é 0,3. Tropa no DF tem um bombeiro para cada km², enquanto o número é de um profissional para cada 1.168 km² no Amazonas.
- Quantidade de policiais penais, os agentes penitenciários, caiu 3% de 2023 a 2025, enquanto a quantidade de presos subiu 6% no mesmo período.
- Gastos totais com remuneração da segurança pública estadual (entre servidores ativos e inativos) são de R$ 230 bilhões anuais, o equivalente a 1,8% do PIB previsto para 2025.



