A Polícia Federal prendeu no fim de semana, na Operação Red Fox, Arnaldo Ribeiro, apontado como o principal fornecedor de armas do Comando Vermelho (CV). O suspeito estava no Suriname e movimentou R$ 153 milhões em contas bancárias consideradas 'atípicas' pelos investigadores.
Negociação com fuzis AK-47
O nome de Arnaldo Ribeiro entrou no radar da PF ao negociar um lote de 10 fuzis AK-47 com Edgard Alves Andrade, o Doca, um dos chefes do Comando Vermelho que está foragido. Natural do Maranhão e com 40 anos, Arnaldo é apontado como o principal fornecedor de armas da facção carioca, utilizando a fronteira norte para abastecer o crime organizado.
Mansão em Paramaribo e movimentação financeira
Baseado no Suriname, Arnaldo vivia em uma mansão na capital, Paramaribo, e é suspeito de controlar a rota que deu origem à operação Red Fox. Em suas contas bancárias, a movimentação de R$ 153 milhões chamou a atenção dos investigadores, que classificaram o volume como 'atípico'. Segundo as investigações da Superintendência da PF no Rio de Janeiro e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF), Arnaldo ainda é suspeito de receber R$ 150 mil em valores fracionados em contas de sua propriedade.
Operação Red Fox e bloqueio de bens
A Operação Red Fox foi deflagrada para cumprir 13 mandados de prisão, expedidos pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A Justiça determinou o bloqueio de meio bilhão de reais em bens, além da suspensão das atividades econômicas de empresas de fachada ligadas ao esquema.
Papel de Arnaldo como 'recebedor direto'
Para os investigadores, Arnaldo Ribeiro era o 'recebedor direto' do dinheiro obtido com a venda de armas. Com os valores em conta, ele repassava os montantes para outros operadores. Para sua mulher, Denise Mendonça, por exemplo, foram enviados R$ 26,6 milhões. Arnaldo e Denise foram detidos pela polícia surinamesa em uma mansão em Paramaribo e extraditados. O casal recebeu voz de prisão da PF ao desembarcar em Belém (PA).
Relação com Doca e idas ao Complexo da Penha
O g1 apurou que Arnaldo tratava diretamente com Doca, um dos chefões do CV que está foragido. Doca foi um dos alvos de prisão da Operação Red Fox, mas não foi encontrado. As vindas ao Complexo da Penha eram constantes, mas desde a Operação Contenção, em outubro de 2025, Arnaldo não veio mais ao Rio, fixando-se na mansão no Suriname.



