Um homem de 45 anos, identificado como Vilmar Aparecido dos Santos, foi preso em flagrante na segunda-feira (22) sob acusação de maus-tratos contra a própria mãe, uma idosa de 83 anos, em Londrina, no Norte do Paraná. O caso veio à tona após bombeiros atenderem a um princípio de incêndio no imóvel onde ambos residiam, no domingo (21). A idosa, que apresentava sinais severos de desnutrição e abandono, foi resgatada e encaminhada a um abrigo especializado. Vilmar, que nega as acusações, foi liberado após audiência de custódia, mas está proibido de se aproximar da mãe a menos de 100 metros.
Incêndio revela situação precária
O incêndio ocorreu no domingo (21) e foi controlado pelos bombeiros, que perceberam que as chamas haviam começado em uma grande quantidade de roupas acumuladas no chão. Durante o atendimento, um dos bombeiros avistou a idosa e suspeitou de maus-tratos, acionando a Polícia Militar (PM-PR). No dia seguinte, os policiais visitaram a residência e encontraram a idosa vivendo em condições insalubres, com sinais de desnutrição severa, falta de higiene e problemas de saúde.
“Constatamos que a residência estava insalubre para moradia. Na cozinha, o fogão estava sujo, com restos de comida, sem condições de uso, o gás de cozinha estava vazio, a pia da cozinha estava suja, com pratos, talheres e outros utensílios domésticos sujos. Não havia produtos de limpeza. Não havia geladeira na residência e não havia mantimentos para consumo. No banheiro não havia chuveiro e o vaso sanitário estava sujo. No quarto da senhora havia lixo jogado pelo chão e as roupas ensacadas. Observamos que o princípio de incêndio foi no quarto da idosa”, detalha o boletim de ocorrência.
Vizinhos acreditavam que idosa havia morrido
Segundo o boletim, vizinhos relataram que, quando perguntavam sobre a idosa, Vilmar afirmava que ela havia morrido há alguns meses. “Somente devido ao incêndio descobriram que ela estava viva. Relataram também violência física por parte dele contra a idosa, que empurrava a cabeça dela no tanque cheio de água e obrigava ela a beber. Que existem denúncias junto ao Cras e Creas formuladas em dias anteriores”, consta no documento.
Além disso, os policiais descobriram que Vilmar havia feito um empréstimo e um seguro de vida em nome da mãe, do qual ele era o beneficiário. Ele também possuía procurações que o autorizavam a sacar a aposentadoria dela. Questionado sobre a alimentação da idosa, Vilmar afirmou que improvisou um fogão a lenha na parte externa da casa e que não tinha dinheiro suficiente para manter uma alimentação adequada, comprando apenas alguns itens em padarias.
Depoimento e negação
Em depoimento na delegacia, Vilmar negou as acusações. Ele se declarou filho adotivo da idosa e afirmou que ela sempre foi bem tratada. Sobre a alimentação, disse que fazia comida para a mãe, mas o gás havia acabado há três dias. Alegou que a casa estava em más condições por serem pobres e que deixou a vida de lado para cuidar dela. “A casa não estava em condições excelentes, porque a gente é pobre. O dinheiro é da minha mãe. Ela só tem a aposentadoria dela. Eu tive que deixar tudo, minha vida de lado, para poder cuidar dela”, declarou Vilmar.
Ele afirmou que a mãe lhe deu uma procuração em 2011 para administrar a aposentadoria, mas não soube informar se ela já tinha problemas de saúde na época. Sobre a higiene, disse que a idosa se recusava a tomar banho e que, como não havia chuveiro, os banhos eram dados com balde.
Medidas legais e investigação
Vilmar passou por audiência de custódia na terça-feira (23) e foi liberado para responder ao processo em liberdade, com a condição de não se aproximar da mãe por pelo menos 100 metros. A Polícia Civil (PC-PR) instaurou inquérito para investigar o caso, incluindo a possibilidade de cárcere privado e apropriação de bens de idoso. A idosa foi acolhida pela assistência social da prefeitura de Londrina e encaminhada a um abrigo especializado.



