Áudio revela filho cobrando patroa por desaparecimento de cozinheira em SP
Filho cobra patroa por desaparecimento de cozinheira em SP

Um áudio gravado após o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, revela o momento em que o filho dela cobra explicações da patroa sobre os últimos momentos antes do sumiço, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A patroa, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, está presa temporariamente desde sexta-feira (10). O caso é investigado como possível homicídio pela polícia, embora nenhum corpo tenha sido encontrado até o momento.

Diálogo entre filho e patroa

Na gravação, obtida pela Rede Vanguarda e que não faz parte da investigação policial, José Carlos de Faria, filho de Berenice, pede que a empregadora conte exatamente o que aconteceu no dia em que a mãe deixou o restaurante onde trabalhava. No diálogo, o filho pergunta: "O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu." A patroa responde: "Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá."

O filho insiste: "Mas, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Vocês discutiram? Aconteceu alguma coisa mais séria? Abre o jogo. Eu queria entender, na realidade, o que aconteceu de fato, porque estamos preocupados. Acionei a polícia." Em resposta, a patroa diz que não sabia que Berenice tinha um filho e se oferece para mostrar onde ela ficava. A mulher também afirma que a cozinheira levou tudo do local.

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Angústia da família

Ao longo da conversa, o filho relata a angústia da família por não conseguir contato com Berenice desde o desaparecimento. "É muito estranho. Se ela tivesse perdido o celular ou acontecido alguma coisa, ela pediria para alguém mandar mensagem para avisar. Até agora a gente não tem sinal dela. Desde terça-feira", diz. O áudio foi gravado no início das buscas, antes dos desdobramentos que levaram à prisão da patroa.

Durante o diálogo, Eliane afirma que Berenice havia comentado que iria trabalhar na Praia das Toninhas, mas diz que não sabia exatamente onde seria o serviço. Ela também alega ter feito um acordo trabalhista com a cozinheira, pago R$ 2,6 mil e a deixado em um ponto de ônibus após a rescisão do contrato.

Investigação aponta contradições

A Polícia Civil investiga a empresária por suspeita de homicídio e aponta contradições entre a versão apresentada por ela e as evidências reunidas durante o inquérito. Imagens de câmeras de segurança e registros de radares reforçam as inconsistências no depoimento da investigada. Em um primeiro momento, ela afirmou que deixou Berenice no bairro Toninhas. Depois, disse que a cozinheira desembarcou no trevo de Ubatumirim e seguiria sozinha para o bairro. À polícia, também declarou que voltou para casa após a carona.

Segundo os investigadores, no entanto, imagens mostram que a caminhonete da empresária passou pela Estrada do Pasto Grande e seguiu em direção a Paraty (RJ), contrariando o depoimento. Durante o cumprimento dos mandados, o veículo foi encontrado com marcas de reparos compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo. A polícia também apreendeu três armas registradas e dois celulares na casa da suspeita.

Desaparecimento e prisão

Berenice desapareceu no dia 30 de junho, após sair do restaurante onde trabalhava, no bairro Ubatumirim. Até a publicação desta reportagem, ela não havia sido localizada. A defesa da patroa foi procurada, mas disse que só irá se manifestar após ter acesso ao processo. A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer o caso.

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