Maria da Penha critica 'números assustadores' de feminicídio no Brasil
Feminicídio: Maria da Penha alerta para números alarmantes

A ativista Maria da Penha classificou como 'números assustadores' os índices de feminicídio no Brasil, durante entrevista ao Estadão. Ela defendeu a necessidade de levar políticas públicas para o interior do país, onde a violência contra a mulher muitas vezes fica invisível. A declaração ocorre em meio a um novo caso de feminicídio: a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 39 anos, chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). O marido, sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, foi preso em flagrante como suspeito do crime.

Lesão contundente e relação conturbada

O porta-voz da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado Saulo Castro, afirmou nesta terça-feira (21) que a vítima apresentava uma 'lesão muito contundente' no rosto. 'Há pluralidade de lesões no corpo da vítima. Há uma lesão aparente muito contundente na face da vítima. Isso foi constatado de modo que fica muito clara a gravidade daquele ferimento', disse o delegado durante coletiva no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a polícia, Michele já estava morta havia entre quatro e seis horas antes de dar entrada no hospital. Castro também revelou que o casal mantinha uma relação conturbada, com histórico de violência psicológica e moral. 'Há também a descrição de atos de violência psicológica e de violência moral do autor em relação à vítima, trazendo esse contexto de violência doméstica e familiar', acrescentou.

Defesa pede cautela

O advogado Gustavo Nepomuceno, que representa o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, divulgou nota pedindo que se evitem julgamentos precipitados. 'Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes', afirmou.

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Contexto nacional alarmante

O caso de Michele se soma a uma série de feminicídios registrados recentemente no Brasil. No Paraná, uma mulher foi morta pelo marido com 28 facadas; o suspeito foi preso em um bar após o crime. Na Bélgica, uma brasileira foi morta a golpes de facão, e o suspeito confessou o crime. Maria da Penha, que dá nome à lei brasileira de combate à violência doméstica, destacou que os números são 'assustadores' e que é preciso ampliar o alcance das políticas de proteção, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros. 'É preciso levar políticas públicas para o interior, onde as mulheres muitas vezes não têm acesso a delegacias especializadas ou abrigos', afirmou a ativista.

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