Feminicídio em Jaboticabal: mulher morre após espancamento pelo ex-companheiro
Josemeire Aparecida Silva, de 40 anos, morreu no dia 4 de julho em Jaboticabal (SP) após ser espancada pelo ex-marido, Edson Luiz Antonio da Silva, de 48 anos. A família da vítima clama por justiça e pede a prisão imediata do suspeito, que ainda está em liberdade. O caso foi registrado na Polícia Civil como feminicídio consumado, violência doméstica, sequestro e cárcere privado.
Histórico de agressões e cárcere privado
De acordo com o irmão da vítima, Juliano dos Santos Silva, o relacionamento entre Josemeire e Edson era conturbado, com idas e vindas nos últimos cinco meses. Josemeire, conhecida como Rosinha, era dependente química e, por vezes, vivia em situação de rua, mas trabalhava com reciclagem e como faxineira, não dependendo financeiramente do ex-companheiro. "Ela trabalhava, ela catava reciclagem, ela fazia limpeza nas casas das pessoas que gostavam muito dela. Então, ela nunca dependeu dele", afirmou Juliano.
Em maio, a família soube do primeiro episódio grave de agressão. No dia 23, Juliano recebeu uma ligação informando que a irmã havia sido resgatada após fugir da casa de Edson, onde era mantida em cárcere privado. "Fui lá, busquei ela, ela estava toda machucada, toda sem condições mesmo. Com a face desfigurada, com muitas lesões na cabeça", relembra. No dia seguinte, ele a levou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal, onde recebeu alta médica para tratamento domiciliar. Josemeire recusou-se a registrar boletim de ocorrência por medo de ameaças. Ela contou à cunhada que as agressões começavam "do nada" e que ela desmaiava, lembrando-se apenas ao acordar.
Novo ataque e morte
No início de julho, Edson encontrou Josemeire na rua e a atacou novamente, com violência ainda maior. No dia 14 de junho, ela foi levada à UPA com sangramento grave na parte de trás do crânio. No dia 15, entrou em coma e não se recuperou, vindo a óbito em 4 de julho. A família espera que a exposição do caso pressione as autoridades. "A gente pede por justiça porque a gente estava esperando esse mandado de prisão e ele está na rua. Andando, sabe? Como se a impunidade fosse certa na vida dele, que não vai acontecer nada. E a gente clama por justiça. [...] Minha irmã só queria viver. E agora minha mãe está aqui arrasada, minha mãe está sem chão. A gente sofre muito", desabafou Juliano.
Investigação e posição da defesa
A delegada Carla Carfan, responsável pelo caso, informou que a Polícia Civil já solicitou a prisão do suspeito à Justiça e aguarda decisão. A Defensoria Pública de São Paulo, que representa Edson, informou apenas que ele foi atendido por meio de convênio com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). A família segue mobilizada para que o caso não caia no esquecimento e para que o suspeito seja preso.



