Uma família de Boituva (SP) enfrentou quatro dias de espera e preocupação para conseguir cremar o corpo de um parente que morreu na sexta-feira (17), logo após o fechamento do plantão da delegacia da Polícia Civil na cidade. O caso expõe as dificuldades causadas pela suspensão dos atendimentos noturnos nas delegacias de Boituva, Cerquilho e Tietê, determinada pela Delegacia Seccional de Itapetininga em 9 de julho.
O que aconteceu
Segundo o advogado responsável pelo caso, que preferiu não se identificar, a família descobriu somente no sábado (18), durante o velório, que o homem não havia deixado por escrito o desejo de ser cremado. Em situações como essa, é necessária uma autorização judicial que também precisa conter uma comprovação de que a morte não está sendo investigada pela Polícia Civil, com assinaturas do juiz, do médico legista e do delegado da cidade.
A família procurou atendimento em Tatuí, Itapetininga e Sorocaba, mas não conseguiu a assinatura do delegado durante o final de semana devido à falta de representante disponível no plantão presencial de Boituva. O documento foi emitido somente nesta segunda-feira (20), com o retorno do funcionamento da delegacia em horário comercial. O corpo será cremado nesta terça-feira (21), em Piracicaba (SP).
Impacto da suspensão dos plantões noturnos
A suspensão do plantão noturno nas delegacias de Boituva, Cerquilho e Tietê, em vigor desde 9 de julho, tem gerado transtornos para os moradores. Os flagrantes passaram a ser conduzidos à delegacia de Tatuí. A Prefeitura de Boituva informou que a suspensão foi comunicada oficialmente e ocorreu após decisão do Governo de São Paulo, motivada pelo déficit de policiais civis efetivos.
Com a medida, o atendimento presencial na delegacia de Boituva ocorre apenas de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Para registrar ocorrências fora desse horário, a população pode usar a Delegacia Eletrônica. A Guarda Civil Municipal continua operando normalmente, pelo telefone 153, apoiando ocorrências e conduzindo flagrantes a Tatuí.
Reações e providências
A prefeitura informou que disponibiliza dez funcionários públicos para dar suporte à Polícia Civil sem obrigação legal e paga integralmente o aluguel de um novo espaço, enquanto aguarda a liberação do prédio original da delegacia. Representantes municipais estiveram na Delegacia Seccional de Itapetininga para obter mais informações e solicitaram ao Governo do Estado o reforço no efetivo, a intensificação das rondas policiais e a retomada da Sala Lilás, destinada a mulheres vítimas de violência doméstica.
Uma nova reunião entre a prefeitura e a Seccional foi marcada para segunda-feira (20) para homologar mudanças operacionais e ajustar o fluxo de atendimento.
Posicionamento da SSP-SP
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou, em nota, que a concentração dos trabalhos de polícia judiciária no plantão de Tatuí visa garantir eficiência administrativa e operacional, evitando dispersão de funcionários e assegurando resposta mais segura. A pasta destacou que a população pode registrar ocorrências pela Delegacia Eletrônica e que, em casos graves, há apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil. A secretaria informou ainda que trabalha para recompor o quadro de efetivos, com mais de 4 mil vagas abertas em concursos nos últimos três anos.
A TV TEM entrou em contato com a SSP-SP para um posicionamento sobre o caso da família, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.



