Estudante denuncia abuso sexual após palestra sobre cuidados com o corpo no Acre
Uma estudante de Manoel Urbano, no interior do Acre, denunciou ser vítima de abuso sexual após assistir a uma palestra sobre cuidados com o corpo na escola onde estuda, na última sexta-feira (29). Ao g1, o delegado Thiago Parente explicou que o caso está sob sigilo, mas confirmou que foi aberto um inquérito policial para apurar o relato.
Contexto do crime
O estupro de vulnerável é um crime previsto no Código Penal Brasileiro e consiste na prática sexual com pessoas incapazes de consentir validamente sobre a relação, como crianças e pessoas com deficiência (PCDs). É um crime de natureza grave e de ação penal pública incondicionada. O Acre registra 27 casos de estupro contra adolescentes no primeiro trimestre de 2026.
Conforme apurado pelo g1, a palestra que encorajou a denúncia tinha como foco explicar sobre abuso sexual. Já no final da apresentação, a aluna procurou um policial para relatar o crime. A equipe policial que estava na escola acionou imediatamente o Conselho Tutelar e a Polícia Civil para iniciar as apurações.
Detalhes da palestra
A palestra integra o Projeto Pequenos Brilhantes, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A ação ocorre nos 22 municípios do estado. Em Manoel Urbano, o projeto percorreu três escolas e contemplou cerca de 750 alunos. Durante os sete dias de ação, os alunos participaram de palestras, orientações e atividades sobre respeito, disciplina, prevenção à violência e bullying.
Dados sobre estupro no Acre
Segundo um relatório divulgado pela Polícia Civil do estado, que reúne informações referentes a 2024, 2025 e 2026, com dados parciais contabilizados até 31 de março deste ano, Rio Branco é a cidade com mais registros de estupro contra crianças e adolescentes em todo o Acre, com 11 casos. Além disso, os municípios de Feijó, com seis casos, e Epitaciolândia, com três casos, seguem como as duas cidades com mais ocorrências registradas. Já em Manoel Urbano, não houve registro do crime no período do levantamento, que foi até março deste ano.
Em relação a estupro de vulnerável, os dados mostram que após a capital, os municípios de Tarauacá, com 13 casos, e Cruzeiro do Sul, com dez registros, tiveram os maiores índices. O estudo ainda mostra que foram registradas 27 ocorrências de estupro contra crianças e adolescentes no período.
Canais de denúncia
Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil:
- Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato;
- Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes;
- Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
- Qualquer delegacia de polícia;
- Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
- Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
- Ministério Público;
- Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).



