A estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, foi morta a facadas em seu apartamento em Barbacena, no Campo das Vertentes, no último sábado (27). O principal suspeito, o namorado Gustavo Dutra Lima, de 25 anos, foi preso no dia seguinte. A vítima morreu dias antes do aniversário de 17 anos do filho mais velho, que seria celebrado nesta quarta-feira (1º).
Ex-marido encontrou o corpo
O médico Francisco Daniel Miranda Siqueira, de 47 anos, ex-marido e pai dos dois filhos de Letícia, foi a primeira pessoa a entrar no apartamento e encontrar o corpo na noite de sábado. Segundo ele, a família já planejava uma festa surpresa para o filho mais velho. “Criei um grupo de WhatsApp com a Letícia, a mãe dela, nossa filha de 12 anos e eu para organizar a festa surpresa do nosso filho. O que a gente não sabia era que ela já estava morta quando o grupo foi criado”, relembrou ao g1.
Os filhos do casal, de 16 e 12 anos, ainda tentam compreender o assassinato. “Eles estão em choque. É uma situação muito difícil de entender e aceitar”, afirmou Francisco. Ele destacou a dedicação de Letícia à família: “Ela era uma mãe exemplar, extremamente responsável. Fazia tudo pelos filhos. A vida dela era voltada para eles”.
Crime com mais de 100 facadas
De acordo com a investigação preliminar e a perícia, Letícia foi atingida por mais de 100 golpes de faca. Os ferimentos estavam concentrados principalmente na região da cabeça, do pescoço e das costas. A Polícia Civil informou que o caso será investigado como feminicídio e que outras informações não serão divulgadas para preservar a apuração.
O principal suspeito, Gustavo Dutra Lima, foi preso na manhã de domingo (28), em Bom Jardim de Minas, e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Em nota, os advogados Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves e Marcelo José Cerqueira Chaves informaram que não vão se manifestar neste momento.
Sequência de ações até encontrar o corpo
Conforme o Boletim de Ocorrência (BO) ao qual o g1 teve acesso, o caso se desenvolveu a partir de uma sequência de ações entre familiares e vizinhos da estudante:
- Uma amiga e vizinha da estudante procurou o ex-marido da vítima após não conseguir contato com ela;
- A preocupação aumentou quando perceberam que o carro da estudante não estava na garagem do imóvel;
- Após tentativas frustradas de localizar uma chave reserva, o ex-marido, a vizinha e o padrasto da estudante decidiram acessar o apartamento pela residência vizinha;
- O homem pulou o muro que separava as sacadas dos imóveis e entrou no local por uma porta de vidro destrancada;
- Ao descer para o primeiro andar do imóvel, ele encontrou a estudante caída na sala;
- Sem resposta aos chamados, ele retornou para a sacada e pediu ajuda;
- Em seguida, ele, a vizinha e o padrasto da vítima arrombaram a porta principal do apartamento, enquanto o Samu e a Polícia Militar foram acionados.
A Polícia Militar apontou o namorado como principal suspeito. A família agora lida com a perda e o luto. “Quando vi o corpo, eu só pensava nos meus filhos. Eles choraram muito quando souberam. Nossa filha pedia o abraço da mãe. Eles não conseguem compreender o tamanho da violência que aconteceu”, completou Francisco.



