O proprietário do terreno onde foi encontrada uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará, foi preso temporariamente por 30 anos. João Holanda Neto, de 59 anos, se apresentou à delegacia para prestar depoimento e teve o mandado de prisão cumprido pela Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (2). Ele é investigado por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Vídeo emocionado antes da prisão
Em um vídeo gravado momentos antes de ser detido, João Neto aparece chorando e pede ao arrendatário da propriedade que se entregue à polícia. “Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos”, diz ele. “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente.”
A defesa de João Neto, representada pela advogada Maria Lopes, afirma que o terreno foi arrendado desde outubro de 2025, mas o contrato foi formalizado apenas em janeiro deste ano. Segundo a advogada, desde a formalização do aluguel, o cliente não adentrou mais nas terras. “Nos últimos meses, ele teria ido apenas até a frente da propriedade, onde tem uma casinha pequena na qual guardava um carro velho e outras coisas do sítio e que, desse ponto de referência, não dava para ver nenhuma plantação”, explicou Maria Lopes.
Detalhes da operação
A plantação foi descoberta no dia 25 de junho em uma ação coordenada pelo Departamento de Polícia Civil do Interior Sul (DPJI Sul), pela 4ª Seccional do Interior Sul (Iguatu) e pela Delegacia de Polícia Civil de Acopiara. No local, os agentes localizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando uma estimativa de 290 mil pés da droga, com cerca de 5 toneladas do entorpecente. Além disso, os policiais encontraram acampamentos usados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada dos policiais. Em um dos pontos, os agentes acharam até feijão cozinhando em uma panela, o que indicava que a saída dos criminosos era recente.
Versão da família
Em entrevista ao g1 na última terça-feira (30), a família do dono da fazenda negou envolvimento com a droga. Conforme Fabrício Holanda, sobrinho de João Neto, o proprietário está em tratamento devido a um câncer de pele e, como estava afastado das atividades, arrendou o terreno para outra pessoa. “O contrato está com minha família, foi feito em cartório e vamos entregar quando a polícia chamar”, disse Fabrício. Ele também afirmou que o tio e os outros familiares não tinham conhecimento de que a propriedade estava sendo usada para cultivo da droga e não compactuam com a atividade ilícita.
Quando o nome de Luiza Rufino, ex-vereadora e candidata a vice-prefeita de Acopiara em 2024, passou a circular nas redes sociais como sendo a proprietária da fazenda, Fabrício publicou um vídeo para esclarecer o caso. A publicação já soma mais de 60 mil visualizações.
Investigação e denúncias
A Polícia Civil divulgou que o suspeito preso já possui antecedente por receptação. Diligências e oitivas seguem em andamento. A PCCE ressalta que outras informações serão repassadas em momento oportuno para não comprometer os trabalhos policiais.
O governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda na segunda-feira (29) após denúncias de que a área teria sido deixada sem custódia, ainda com droga e outras provas. A denúncia foi feita pelo deputado federal André Fernandes (PL), que visitou o local no sábado (27) e mostrou que a maior parte da plantação seguia no local, bem como parte da droga já colhida. Na residência do sítio, foram deixados materiais como celular e cadernos de anotações, que deveriam ter sido recolhidos como provas.
Elmano afirmou que a Polícia Civil vai permanecer no local até destruir toda plantação. “Está sendo destruído e a Polícia Civil não sai daqui enquanto não destruir toda essa plantação”, disse o governador. Ele também pediu que o deputado André Fernandes preste depoimento para apresentar o nome do suposto indivíduo que interferiu na operação.
Investigação de conduta policial
A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) abriu uma investigação, a pedido do governador, para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio. O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha as investigações por meio do Gaesp e do Gaeco.
O deputado André Fernandes protocolou a denúncia na Polícia Federal, que informou que não comenta investigação em andamento. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que vai investigar a denúncia de falha nos procedimentos na custódia e que toda e qualquer falha será apurada e os responsáveis punidos.



