Polícia investiga desvio de verba pública para filme sobre Bolsonaro em SP
Desvio de verba para filme de Bolsonaro é investigado em SP

A Polícia Civil de São Paulo realiza uma operação para investigar se recursos públicos foram desviados para financiar a produção do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo da investigação, nega irregularidades e afirma que contratou perícia e auditoria especializadas para acompanhar o caso.

Detalhes da investigação

O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, no valor de R$ 108 milhões por ano, previa a instalação de 5 mil pontos de internet wi-fi gratuita em bairros periféricos da capital. No entanto, apenas 3,2 mil pontos teriam sido instalados, e três aditivos prorrogaram o prazo de entrega. A investigação aponta suspeitas de direcionamento na concorrência, já que apenas o ICB participou da licitação, e questiona a capacidade técnica da organização na área de telecomunicações.

Valores questionados

O juiz responsável pelo caso destaca que o ICB cobrou cerca de R$ 1.800 por mês por ponto de wi-fi, enquanto a Prodam, empresa de tecnologia da prefeitura, cobrava R$ 230 pela instalação e R$ 306 pela manutenção. Além disso, há suspeitas de pagamento antecipado de R$ 26 milhões por serviços não prestados e uso de notas fiscais irregulares para justificar despesas de R$ 4,7 milhões.

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Posicionamento do ICB

O Instituto Conhecer Brasil afirmou que recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial, colaborando de forma transparente com as autoridades. A entidade declarou que está à disposição para fornecer documentos e esclarecimentos, e contratou perícia e auditoria especializadas para apoiar a investigação.

Conexões políticas

A empresária Karina Ferreira da Gama, dona do ICB e da produtora Go Up, responsável pelo filme, também prestou consultoria para a campanha do deputado federal Mário Frias (PL-SP) em 2022. Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB, valor que também é investigado pelo STF.

Reações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a investigação trata de um contrato antigo de internet e não tem relação com o filme. Já o prefeito Ricardo Nunes (MDB) negou irregularidades e disse que a prefeitura pagou apenas pelos pontos instalados, contratando 3.200 pontos. A Prefeitura de São Paulo informou que o programa WiFi Livre funciona normalmente e que os repasses seguiram a lei, com devolução de valores não comprovados.

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